THE WASHINGTON POST / AFP
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Justiça do Paquistão manda soltar militante condenado por decapitação de jornalista Daniel Pearl

Britânico havia sido condenado por ser o mentor do sequestro e assassinato brutal do jornalista americano decapitado por jihadistas em 2002; governo americano afirma estar 'indignado' com a medida

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2021 | 18h05

WASHINGTON - O Tribunal Supremo do Paquistão ordenou nesta quinta-feira, 28, a libertação de um militante britânico condenado por ser o mentor do sequestro e assassinato brutal do jornalista americano Daniel Pearl, que foi decapitado por jihadistas em 2002. A Casa Branca afirmou estar "indignada" com a medida.

Uma ordem judicial divulgada mais cedo nesta quinta-feira dizia que Ahmed Omar Saeed Sheikh, juntamente com três cúmplices ligados ao caso, deveriam "ser libertados imediatamente", embora não estivesse claro quando isso aconteceria.

"O governo americano está indignado pela decisão do Tribunal Supremo do Paquistão", disse durante sua entrevista coletiva diária a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.  "É uma afronta às vítimas de terrorismo em todas as partes do mundo", afirmou, pedindo que o governo paquistanês revise as opções legais, incluindo permitir aos EUA processar Sheikh. 

"O tribunal declarou que (o acusado) não cometeu delito algum neste caso", disse à agência France Presse Mahmood Sheikh, que representava Ahmed Omar Saeed Sheikh. Ele foi absolvido por uma comissão de três juízes.

Daniel Pearl era o chefe de redação do escritório do Wall Street Journal no sul da Ásia. Em janeiro de 2002, Pearl, então com 38 anos, investigava ataques de militantes islâmicos em Karachi na esteira dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos quando foi capturado. Quase um mês depois, após vários pedidos de resgate, um vídeo mostrando sua decapitação chegou ao Consulado dos Estados Unidos.

A família de Pearl chamou nesta quinta-feira a decisão de libertar Sheikh "uma farsa da Justiça" e pediu a intervenção dos Estados Unidos no caso. "A libertação desses assassinos coloca em perigo os jornalistas de todo o mundo e o povo do Paquistão. Instamos o governo dos Estados Unidos a tomar todas as medidas necessárias de acordo com a lei para corrigir essa injustiça", disse a família em um comunicado.

Os Repórteres Sem Fronteiras também criticaram a decisão, dizendo em nota que "permanecerá como um símbolo da impunidade absoluta em torno dos crimes de violência contra jornalistas".

No ano passado, houve protestos internacionais quando um tribunal de primeira instância absolveu este homem de 47 anos do assassinato do jornalista e reduziu sua sentença para uma acusação menor de sequestro. Essa decisão revogava sua sentença de morte e ordenava sua libertação após quase duas décadas de prisão. 

A medida desse tribunal deu lugar a uma série de petições contra sua absolvição, incluindo a da família de Pearl. 

Mahmood Sheikh, um "extremista" de origem paquistanesa nascido no Reino Unido e que estudou na prestigiada London School of Economics e esteve anteriormente envolvido em outros sequestros de estrangeiros, foi detido após o sequestro de Pearl e condenado à forca.

Os advogados da família de Pearl afirmaram que Sheikh desempenhou um papel crucial na organização do sequestro do jornalista e ordenou sua execução.  Já os advogados do réu afirma que seu cliente foi um bode expiatório, condenado sem provas suficientes.

Sheik e os três outros homens condenados por sua participação no sequestro permaneciam detidos também sob uma ordem de emergência do governo da Província de Sindh. Para as autoridades locais, eles representam um perigo público./AFP e REUTERS 

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