Peruvian Judiciary / AFP
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Justiça do Peru anula prisão preventiva de Keiko Fujimori

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori estava detida desde 2018 por suspeitas de corrupção vinculadas à Operação Lava Jato

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2019 | 15h45
Atualizado 26 de novembro de 2019 | 12h15

LIMA - A Justiça do Peru anulou nesta segunda-feira, 25, a prisão preventiva da líder da oposição Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, detida desde 2018 por suspeitas de corrupção vinculadas à Operação Lava Jato

De acordo com o jornal El Comercio, do Peru, o Tribunal Constitucional do país acatou por maioria o habeas corpus apresentado pela irmã de Keiko, Sacho Fujimori, assim anulando a prisão preventiva, que deveria ser de 36 meses. 

Também nesta segunda, a líder do partido Força Popular se negou a declarar perante um juiz em relação à investigação de repasses ilegais para sua campanha eleitoral de 2011, quando tentou a presidência da República pela primeira vez e foi derrotada por Ollanta Humala. 

Novas informações foram reveladas na semana passada, quando o presidente da empresa Credicorp, Dionisio Romero, afirmou que o grupo doou US$ 3,6 milhões à campanha de Keiko em 2011. Apesar de ter garantido que a empresa não rompeu "nenhuma responsabilidade legal", a doação é investigada.   

O depoimento se soma aos dos ex-empresários da Odebrecht, que também revelaram ter doado dinheiro para a campanha. Informações enviadas pelo Ministério Público do Brasil ao MP peruano provariam que o partido de Keiko recebeu US$ 1,2 milhão de em 2011.

De acordo com a acusação, Keiko também escondeu o dinheiro por meio de vários métodos ilegais. Segundo o ex-diretor da Odebrecht em Lima, Jorge Barata, os dirigentes fujimoristas Jaime Yoshiyama e Augusto Bedoya foram os intermediários.

Barata confessou para procuradores peruanos em São Paulo que também tinha feito doações para as campanhas de outros candidatos em 2011: Ollanta Humala (2011-2016), Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (1985-1990 / 2006-2011) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018).

Todos os ex-presidentes do Peru e Keiko negaram ter recebido dinheiro da Odebrecht, empresa acusada de pagar propinas milionárias para políticos e funcionários de governos de diferentes países da América Latina.

O ex-presidente do Peru Alan García suicidou-se em 17 de abril quando policiais chegaram em sua residência para prendê-lo em um caso de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira. 

A pedido da Justiça peruana, Alejandro Toledo foi preso nos EUA em 16 de julho, onde aguarda um julgamento sobre o pedido de extradição. Kuczynski, de 80 anos, condenado a 36 meses de prisão preventiva, teve a pena transferida para prisão domiciliar em consequência da idade avançada e dos problemas cardíacos.

A Odebrecht admitiu pagamentos de US$ 800 milhões em troca de ‘contratos lucrativos’, incluindo estradas, pontes e represas no Peru.

"Não existem garantias mínimas de respeito ao devido processo. Não é por acaso que (o juiz) agendou minha declaração na semana decisiva em que o Tribunal Constitucional está debatendo a minha liberdade", defendeu Keiko em uma postagem nas redes sociais. 

"Não vou me submeter ao jogo perverso de um juiz que quer escrever um novo capítulo de sua série de abusos e atropelamentos", acrescentou. 

Atuação do Tribunal Constitucional

A possibilidade do Tribunal Constitucional peruano votar a favor da revogação de prisões de investigados da Lava Jato, como Keiko, já havia sido considerada pelo presidente peruano Martín Vizcarra, quando em setembro deste ano dissolveu o parlamento e convocou novas eleições no Peru. 

Os congressistas não acataram com o pedido de um voto de confiança do presidente para evitar uma reforma dos membros do Tribunal Constitucional, eleitos pelo parlamento, e iniciaram a votação para eleger os seis novos integrantes, de um total de sete. 

A Casa é predominada por políticos do Força Popular, partido fujimorista, e segundo Vizcarra, iria aparelhar o Tribunal com oposicionistas e assim viabilizar decisões favoráveis a Keiko, por exemplo, e outros condenados pela Lava Jato.

Por fim, o único novo integrante eleito em maioria pelo Parlamento, pouco antes de sua dissolução, foi o advogado Gonzalo Ortiz de Zevallos, primo do presidente do Congresso, o opositor Pedro Olaechea. Em outubro, o Tribunal Constitucional recusou entregar uma das vagas a ele. / com AFP

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