Justiça do Peru nega pedido de Fujimori para usar laptop

O ex-presidente peruano Alberto Fujimoriterá de confiar em sua memória e limitar-se a usar papel elápis no processo em que responde a acusações de abuso dosdireitos humanos, depois de a instância que o julga negar opedido dele para usar um computador portátil durante a defesa. Entre os motivos para a decisão, os juízes consideraram queo uso de um laptop poderia significar "acesso a meios decomunicação incontroláveis para a corte" durante o processo. Nos cinco anos que permaneceu foragido da Justiça peruana,em Tóquio, Fujimori utilizou com frequência os meioseletrônicos para se defender e fazer propaganda política,inclusive por meio de um site. O ex-dirigente, que governou o Peru com pulso firme entre1990 e 2000, foi extraditado em setembro do Chile, país no qualpermaneceu durante dois anos após ter desembarcado ali, deforma inesperada, vindo do Japão. "Declara-se infundada a solicitação da defesa do réuAlberto Fujimori para que se autorize o citado réu a utilizarum computador portátil, tanto na sala de audiências quantodentro do estabelecimento penal", afirmou a decisão lida notribunal. Segundo as leis peruanas, o regime penal fechado especialsob o qual está detido Fujimori não permite ao réu concederentrevistas aos meios de comunicação e nem utilizar aparelhoscomo computadores pessoais. Em sua cela, o ex-presidente tem acesso a jornais, rádio etelevisão, segundo seu porta-voz. Enquanto aguardava peloinício de seu julgamento, Fujimori começou a ter aulas depintura e passou a tocar guitarra. O ex-líder peruano, 69, foi interrogado na quarta-feirapelo promotor José Peláez, substituído nas duas audiênciasanteriores por um colega porque estava de luto. Nesse processo, Fujimori terá de responder à acusação deser um dos responsáveis pela morte de 25 pessoas assassinadaspor um comando militar e pelo sequestro de adversários dogoverno dele. A promotoria o acusa de homicídio qualificado, assassinato,lesões corporais graves e sequestro. Se for considerado culpadodesses crimes, o ex-presidente pode ser condenado a até 30 anosde prisão. A audiência iniciada às 9h30 (12h30 em Brasília) aconteceem um quartel da polícia no qual Fujimori encontra-se detidodesde que foi extraditado do Chile. (Por Jean Luis Arce)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.