EFE/MARTIN ALIPAZ
EFE/MARTIN ALIPAZ

Justiça do Peru pede autorização para interrogar Marcelo Odebrecht sobre Keiko Fujimori

Pedido foi apresentado através do Escritório de Cooperação Judicial Internacional e Extradições da Promotoria da Nação do Peru

O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2017 | 14h19

LIMA -  O promotor peruano José Domingo Pérez solicitou à Justiça do Brasil autorização para interrogar o empresário Marcelo Odebrecht, preso por causa da Operação Lava Jato, sobre Keiko Fujimori, líder da oposição no país e candidata derrotada na última eleição presidencial. Pérez afirmou nesta segunda-feira, 18, que o pedido foi apresentado através do Escritório de Cooperação Judicial Internacional e Extradições da Promotoria da Nação do Peru.

Em agosto, o procurador-geral do Peru, Pablo Sánchez, informou que uma nota encontrada no celular de Marcelo Odebrecht com a mensagem "Aumentar Keiko para 500 e fazer visita" estava em poder dos promotores peruanos para ser adicionada às investigações.

No Peru, a Justiça investiga o pagamento de US$ 29 milhões em propinas feito pela Odebrecht entre 2005 e 2014, um caso pelo qual já foram denunciados por lavagem de dinheiro os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006) e Ollanta Humala (2011-2016). O ex-presidente Alan García (2006-2011) é investigado por ter recebido presentes em troca de benefícios na construção do Metrô de Lima.

No início do mês, Pérez assumiu a investigação sobre Keiko e as contribuições recebidas em uma série de eventos pelo partido da filha do ex-presidente Alberto Fujimori, o Fuerza Popular.

A Promotoria abriu uma investigação preliminar contra a líder opositora após confirmar que tinha em seu poder uma nota de Marcelo Odebrecht que ligava Keiko às contribuições dadas aos candidatos peruanos nas eleições presidenciais de 2011.

Marcelo pediu ao então diretor da empresa no Peru, Jorge Barata, que aumentasse o apoio à candidatura de Keiko durante a campanha presidencial de 2011. O próprio Barata teria afirmado isso a promotores peruanos em maio. Parte das declarações feitas por ele foi publicada pela revista peruana Caretas em julho.

Barata disse aos promotores que investigam o caso ter realizado doações às campanhas eleitorais de vários candidatos à presidência do Peru, entre eles Humala, que está preso preventivamente. Keiko respondeu em agosto que nem o Força Popular nem ela receberam dinheiro da Odebrecht. Além disso, a líder opositora afirmou que sempre colaborou com todas as investigações. 

Em nota, a empreiteira afirma que está colaborando para esclarecer todos os fatos relativos aos casos de corrupção envolvendo seus ex-executivos. “A Odebrecht entende que é de responsabilidade da Justiça a avaliação de relatos específicos feitos pelos seus executivos e ex-executivos. A empresa está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um Acordo de Leniência com as autoridades do Brasil, Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Equador e Panamá, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas.” / EFE

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