Karel Navarro/AFP
Karel Navarro/AFP

Justiça peruana ordena prisão preventiva de ex-presidente

Ministério do Interior informou que se Alejandro Toledo não retornar imediatamente ao país, será incluído na lista dos foragidos mais procurados do Peru

O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2017 | 01h54

LIMA - Um juiz do Peru emitiu na noite de quinta-feira uma determinação para captura nacional e internacional do ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006) e sua posterior prisão preventiva por 18 meses. O político teria recebido US$ 20 milhões em propina da Odebrecht.

O magistrado Richard Concepción, titular do Primeiro Juizado de Investigação da Sala Penal Nacional, declarou fundado o pedido de prisão preventiva solicitado pelo promotor Hamilton Castro, que acusa o ex-presidente de tráfico de influência e lavagem de dinheiro. O Ministério do Interior já afirmou em um comunicado que se Toledo não retornar imediatamente ao país, será incluído na lista dos foragidos mais procurados do Peru.

A relação é um grupo de pessoas acusadas de crimes graves e com ordens de prisão, pelos quais o Ministério do Interior oferece uma recompensa financeira para quem oferecer dados ou informações que permitam localizar e prender os foragidos, tanto dentro quanto fora do país. O Ministério do Interior explicou que enviará um alerta vermelho aos 190 países que compõem o Sistema da Interpol, assim que receber a notificação da decisão do juiz.

Toledo teria passado o fim de semana em Paris, ainda que sua residência habitual seja nos EUA, onde trabalha como pesquisador da Universidade de Stanford. Essa circunstância foi um dos motivos que levou o magistrado a emitir o pedido para que o ex-presidente seja capturado, embora outras razões, como complexidade do caso e gravidade dos delitos, também tenham sido apontadas.

O juiz ainda disse que os "elementos de convicção" existentes são suficientes e "respaldam com alto grau de fiabilidade" as acusações contra o ex-presidente. Ele rechaçou a solicitação feita pelo advogado de Toledo, o ex-congressista Heriberto Jiménez, para que seu cliente tenha um regime de comparecimento periódico ante a justiça enquanto a investigação é realizada.

Segundo o promotor Hamilton Castro, a Odebrecht pagou a Toledo US$ 20 milhões em propina pelas obras da Estrada do Pacífico, que liga a costa do Pacífico até a fronteira com o Brasil. Em troca, o ex-presidente se encarregaria de ajudar a modificar as cláusulas adicionais do contrato. De acordo com o tribunal de contas peruano, a obra teve um custo final de US$ 2,346 bilhões.

Dos US$ 20 milhões em propinas, a Procuradoria identificou pouco mais de US$ 9 milhões depositados entre 2006 e 2010 em contas de empresas offshore de Josef Maiman, empresário israelense que seria testa de ferro do ex-presidente. A defesa de Toledo nega as acusações. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.