Justiça do Zimbábue adia decisão sobre resultado de eleições

Oposição acusa Mugabe de tentar ganhar tempo e adiar segundo turno para se manter no poder do país

Agências internacionais,

07 de abril de 2008 | 08h51

A Justiça do Zimbábue decidiu nesta segunda-feira, 7, adiar para terça-feira a sua decisão sobre um pedido apresentado pela oposição para obrigar a Comissão Eleitoral a divulgar urgentemente os resultados das eleições presidenciais, disseram fontes jurídicas. A solicitação para a divulgação dos resultados foi apresentada neste domingo diante do Tribunal Superior de Harare pelo opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês), que declarou sua vitória no pleito de 29 de março, enquanto o presidente do país desde 1980, Robert Mugabe, luta para adiar um provável segundo turno nas eleições. Veja também:Robert Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos Nove dias depois do fechamento das urnas, os resultados oficiais referentes às eleições presidenciais no país continuam sem terem sido divulgados. A oposição considera a demora uma prova de que seu candidato, Morgan Tsvangirai, derrubou o presidente Mugabe. "Todo mundo no regime trata de ganhar tempo, porem os falcões militares estão se impondo", explica um general aposentado, citado pelo jornal El Pais, que participou da guerra da libertação e mantém bons contatos no Exército. "O problema são os mandatários intermediários e soldados de base, que sofrem como toda a população com a brutal crise econômica e que apóiam a oposição". "Não aceitaremos nenhum presidente que não seja Robert Mugabe". Os chefes do Exército do Zimbábue, Constantine Chiwenga, e da polícia, Agustine Chihuri, reiteraram publicamente, antes das eleições, o respaldo ao líder. Os dois, além do próprio partido governista, são os principais apoios do presidente para seguir no poder, adiar o máximo possível o provável segundo turno nas eleições e amedrontar a oposição, principalmente nas zonas rurais. Uma vez admitido o golpe de que a oposição poderia ganhar as eleições, os aliados do regime de Mugabe tentam recuperar terreno frente aos setores abertos que pretendem encaminhar uma transição pactuada sem revanchismo. O plano se aplica a dedo: reter todo possível resultado das eleições presidenciais, esperar que observadores e jornalistas estrangeiros deixem o país, atrasar o segundo turno das eleições por meses - deveria acontecer em 19 de abril -, e desdobrar militares, policiais, milícias do partido do governo ZANU-PF e batalhões de veteranos da guerra até o último metro do território. "A oposição nunca tinha entrado nas zonas rurais, porém desta vez fizeram campanha e conseguiram muitos resultados", aponta Ellen, ativista de direitos humanos que foi interrogada pela polícia. "Nos chegam informações de que o governo está na zona rural do país e hostilizando todos os suspeitos de haver votado na oposição". O Zanu-PF pediu na madrugada de domingo que a corte eleitoral do país determine uma recontagem de votos, alegando ter detectado "erros e anomalias" no processo de apuração das eleições presidenciais de 29 de março. A oposição, que afirma ter vencido a votação, alega que o pedido é parte de uma estratégia de Mugabe para tentar ganhar tempo e acusa o governo de preparar uma guerra contra seus críticos.  De acordo com documentos enviados à comissão eleitoral pelo Zanu-PF, o número de votos para Mugabe registrados em vários postos eleitorais foi reduzido antes de ser enviado às autoridades eleitorais. "Como vai ficar claro em breve, as autoridades dos distritos eleitorais cometeram erros de cálculo tão evidentes para prejudicar não apenas nosso candidato como também seus concorrentes", afirmou a carta do Zanu-PF, segundo o Sunday Mail. "Não pode haver dúvidas de que todos os resultados da eleição presidencial nos quatro distritos eleitorais de Mberengwa são grosseiramente irregulares e não podem ser mantidos em um exame mais detalhado." O secretário-geral do MDC, Tendai Biti, disse que o partido governista não tinha o direito de pedir uma recontagem. "O decreto (eleitoral) diz que você pode pedir uma recontagem durante 48 horas após o início da contagem", disse Biti. "A contagem ocorre nos postos de votação, então é em 48 horas a partir deste momento."

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