Porsche AG
Porsche AG

Justiça dos EUA confisca imóveis de luxo de chavistas acusados de corrupção

Investigadores americanos conseguem rastrear fortuna de ex-funcionários do governo venezuelano e de empresários ligados a Maduro, que teriam desviado milhões de dólares da PDVSA

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 05h00
Atualizado 30 Agosto 2018 | 09h24

GENEBRA - Quem passa pela Avenida Collins, na Sunny Isles Beach, na Flórida, dificilmente deixa de reparar em um dos prédios de luxo à beira-mar. Trata-se do Porsche Design Tower, de Miami, que oferece não apenas acesso direto à praia, mas também privilégios destinados a poucas fortunas no mundo. No site do empreendimento, os administradores não economizam modéstia: “Sua casa do céu”. 

 Nesta semana, o edifício passou a fazer parte de uma lista dos que têm imóveis bloqueados pelas investigações sobre o desvio de US$ 1,2 bilhão da PDVSA e de recursos venezuelanos por parte de ex-funcionários da estatal, empresários próximos ao governo do presidente Nicolás Maduro. 

Na semana passada, a Justiça americana anunciou que investigações em colaboração com a Suíça resultaram na prisão de um ex-banqueiro suíço, Matthias Krull. Ele fechou um acordo de delação premiada e admitiu a existência do esquema, principalmente ao promover desvios da PDVSA, a estatal do petróleo da Venezuela que, nos últimos meses, vem registrando um colapso sem precedentes de sua economia.

As investigações também apontam suspeitas de que a elite chavista e enteados de Maduro ganharam ilegalmente milhões de dólares com um esquema de lavagem de dinheiro que usava o mercado negro do câmbio venezuelano e a PDVSA para acumular uma fortuna no exterior. 

O apartamento 2205 do luxuoso prédio em Miami está na lista dos 17 imóveis que a Justiça americana congelou na mesma investigação. Até terminar o processo, seus donos não podem vender ou alugar o imóvel. Se eventualmente forem condenados, os americanos podem pedir o confisco definitivo dos apartamentos. 

O local de luxo em Miami está em nome do ex-assessor legal do Ministério de Petróleo e Mineração da Venezuela, Carmelo Urdaneta Aqui, indiciado nos Estados Unidos por corrupção. Urdaneta nega irregularidades.

Com um serviço de concierge 24 horas por dia, pronto para atender os desejos de seus clientes, até mesmo para alugar um jato de última hora, o prédio do chavista conta com piscinas privativas aquecidas e até cofres especialmente desenhados para vinhos raros, além de uma vista única do Oceano Atlântico. 

Uma das grandes atrações do local é ainda o sistema de elevadores, que permite que o morador possa levar o seu carro para o andar de seu apartamento.

 

A suspeita é que, além de transferir rendimentos para contas no exterior, o esquema envolvia a compra de imóveis de luxo para lavar o dinheiro da corrupção. Apenas o apartamento na Avenida Collins teria um valor de US$ 5,3 milhões. No total, os 17 imóveis são estimados em US$ 35 milhões. 

Outros quatro imóveis no condomínio fechado de Cocoplum, em Coral Gables, estão em nome de Mario Enrique Bonilla Vallera, um empresário venezuelano que é suspeito de ser a pessoa que movimenta recursos para os enteados de Maduro. Bonilla também nega irregularidades.

Na região de Wellington, conhecida pelos haras, dois terrenos, que juntos totalizam 9 mil metros quadrados, perto de Palm Beach, também foram bloqueados. Ainda que os nomes dos donos não tenham sido divulgados, só a residência em um dos terrenos teria mais de 600 metros quadrados, com um valor total de mais de US$ 3 milhões. 

Seis apartamentos foram também retidos pela Justiça em um prédio da Rua 27 de Miami Beach, uma apreensão avaliada em US$ 3,1 milhões. A lista ainda inclui uma casa de 400 metros quadrados na Hibiscus Lane, também em Miami, avaliada em US$ 2,7 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.