Scott Olson/Getty Images/AFP
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Justiça dos EUA não deve acusar policial que matou Michael Brown

Segundo o jornal 'NYT', citando fontes, a investigação federal não encontrou provas que justifiquem o indiciamento de Darren Wilson

O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2015 | 09h20


WASHINGTON - A investigação federal do caso Ferguson não encontrou provas para acusar o policial que matou o jovem negro Michael Brown em agosto do ano passado, anteciparam fontes oficiais ao jornal The New York Times.

A decisão final sobre a acusação do agente Darren Wilson terá que ser tomada nas próximas semanas pelo secretário de Justiça, Eric Holder, antes que ele deixe o cargo e seja substituído por Loretta Lynch, que ainda precisa da aprovação do Senado.

No dia 24 de novembro, a decisão de um grande júri de não acusar o policial levou milhares de pessoas às ruas de todo o país e a cidade de Ferguson, no Estado do Missouri, reviveu os distúrbios raciais que ocorreram após a morte de Brown, no dia 9 de agosto.

Diante da controvérsia do caso, o Departamento de Justiça iniciou uma investigação independente para determinar se houve violação dos direitos civis. Segundo as fontes do NYT, os investigadores federais não encontraram provas que justifiquem o indiciamento de Wilson e, portanto, recomendarão que ele não seja acusado.

As versões das testemunhas e do policial sobre o ocorrido em 9 de agosto são contraditórias. Alguns depoimentos sustentam que o Brown estava com as mãos para o alto quando o policial atirou contra ele, enquanto outros garantem que o jovem travou uma luta corporal com Wilson para tentar sacar sua arma.

Desde a morte de Brown, os protestos iniciados em Ferguson se estenderam por mais de 170 cidades nos EUA, principalmente em Nova York, Washington e Los Angeles.

Os EUA vivenciaram em 2014 o ressurgimento das tensões raciais no país, com violentos confrontos entre a polícia e minorias que evocaram as históricas manifestações dos anos 1960.

A mais trágica expressão desse mal-estar foi a morte de dois policiais nova-iorquinos, Wenjian Liu e Rafael Ramos, no dia 20 de dezembro por um afro-americano que queria vingar a morte de cidadãos negros cometidas por policiais.

Assim como no caso Brown, o policial envolvido na morte do também negro Eric Garner, em julho, não foi indiciado. Garner morreu em uma abordagem ao ser imobilizado com uma gravata. Os dois casos desencadearam as maiores mobilizações e forçaram o governo a situar a discriminação racial por parte da polícia como uma das prioridades de sua agenda. /EFE

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