Justiça egípcia para em protesto contra Executivo

A mais alta instância da Justiça do Egito suspendeu seus trabalhos indefinidamente ontem, um dia depois de milhares de islamistas tomarem as ruas das principais cidades do país em apoio ao presidente Mohamed Morsi. Os juízes da Suprema Corte Constitucional alegam que não podem trabalhar sob pressão "material e psicológica", adiando sua decisão sobre a legitimidade da Assembleia Constituinte que aprovou uma nova Carta na sexta-feira.

CAIRO, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2012 | 02h02

Centenas de manifestantes protestaram diante do tribunal de madrugada. Durante o dia, a corte deliberaria sobre a legalidade da Câmara Alta do Parlamento egípcio e do painel que elaborou a nova Constituição - ambos dominados por políticos islamistas, que compõem a base do presidente, um integrante da Irmandade Muçulmana.

Os magistrados afirmaram que foram impedidos de chegar ao edifício onde trabalham.

No dia anterior, Morsi havia anunciado um referendo popular para a deliberação sobre a nova Constituição, cujas 236 cláusulas foram aprovadas às pressas pela Assembleia Constituinte, sem a participação dos representantes seculares, liberais ou cristãos. Já minoria desde a criação da comissão constitucional, eles haviam se retirado em protesto contra a predominância islamista na elaboração da nova Carta.

O impasse entre o Judiciário e o Executivo do Egito havia começado no dia 22, quando Morsi baixou um decreto que lhe outorgou poderes garantindo ao presidente - e à Assembleia Constituinte - imunidade sobre a fiscalização do Judiciário.

Até ontem, as manifestações pró e contra o decreto haviam deixado três mortos no país.

"A Irmandade Muçulmana está determinada em levar adiante seus planos, sem importar-se com todos os demais. Não há acordo no horizonte", afirmou o analista político Hassan Nafaa, da Universidade do Cairo.

Diante da Suprema Corte Constitucional, um dos cartazes dos islamistas dizia "Sim à Constituição". O manifestantes entoavam canções a favor de um "expurgo do Judiciário". / REUTERS e AP

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