Martin Alipaz/EFE
Martin Alipaz/EFE

Justiça eleitoral da Bolívia autoriza nova candidatura de Evo Morales

Tribunal permitiu a participação do atual presidente e de seu vice nas prévias para as eleições que acontecerão em 2019

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2018 | 04h41

O Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia autorizou nesta terça-feira, 4, a candidatura de Evo Morales para as primárias visando as eleições de 2019. Apesar da oposição tentar evitar que ele participe do pleito, o atual presidente tentará se eleger para o quarto mandato consecutivo.

O órgão eleitoral adiantou em reunião de emergência, realizada no final da noite, uma decisão que tinha prazo de ser anunciada até o próximo sábado, 8. A permissão para participação nas primárias também vale para o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera.

Em um comunicado à imprensa, onde não aceitou perguntas dos jornalistas, a presidente do tribunal, María Cristina Choque, comunicou a decisão de permitir várias candidaturas, entre elas a de Morales, para as primárias do  dia 27 de janeiro, prévias às eleições gerais de outubro de 2019.

O anúncio foi feito nos escritórios do antigo Tribunal Eleitoral Nacional, em La Paz. Grupos contrários a uma possível reeleição de Morales protestaram na sede central do tribunal. A permissão da candidatura de Morales e García Linera, que concorrem pelo partido Movimento para o Socialismo (MAS), acontece dois dias antes da chegada em La Paz, prevista para quinta-feira, 6, de manifestantes vindo de vários pontos do país que pedem que se respeite o limite constitucional de apenas dois mandatos consecutivos.

A oposição e grupos que participam destas marchas, que tiveram início no último fim de semana, reivindicam o respeito a um referendo que em 2016 negou a Morales uma reforma da Constituição para eliminar esse limite.

No entanto, no ano passado, o Tribunal Constitucional da Bolívia autorizou a reeleição indefinida, ao entender que prevalece um artigo da Convenção Americana de Direitos Humanos, assinada pelo país, que concede o direito a um líder a ser eleito sem esse tipo de limitação.

A habilitação de Morales acontece junto a outras como a candidatura do ex-presidente Carlos Mesa, que definiu a decisão do tribunal como uma "ação submissa" diante do governo boliviano, classificado como "autoritário". em mensagem no Twitter.

O tribunal "deu um golpe mortal em nossa democracia, qualificando como candidato o dono de todos os poderes, Evo Morales", disse Mesa.

Evo Morales, presidente desde 2006, é o líder que mais tempo está no poder na história da Bolívia. \ EFE

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