Peruvian Judiciary / AFP
Peruvian Judiciary / AFP

Justiça envia Keiko Fujimori para a prisão por doações da Odebrecht

Juiz decreta pena de 3 anos de prisão preventiva para a líder opositora

O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2018 | 22h09

LIMA - O juiz Richard Concepción Carhuancho decretou nesta quarta-feira uma pena de 3 anos de prisão preventiva para a líder opositora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que é acusada de ter recebido contribuições ilegais da construtora Odebrecht e se beneficiar em um esquema de lavagem de dinheiro no financiamento da sua campanha presidencial nas eleições de 2011.

"Existe suspeita grave sobre a participação da investigada Keiko Sofía Fujimori no crime de lavagem de dinheiro como líder de uma organização criada dentro do Força 2011", afirmou o juiz no texto sobre a decisão.

O Força 2011 é hoje o Força Popular, partido presidido por Keiko Fujimori. Carhuancho considera que há elementos suficientes para suspeitar que a política ordenou à cúpula da legenda para que lavasse grandes quantidades de dinheiro. Por este crime, ela pode ser condenada a pelo menos 10 anos de prisão.

Após ler a resolução durante mais de sete horas, o magistrado, titular do Primeiro Tribunal de Investigação Preparatória da Sala Penal Nacional do Peru, justificou a necessidade de que Keiko fique em regime de prisão preventiva devido ao risco de perturbação de provas e testemunhas.

O juiz citou, no texto da decisão, as declarações de testemunhas que afirmam que Keiko Fujimori se reuniu com o ex-juiz César Hinostroza, atualmente em prisão provisória na Espanha, para que este lhe favorecesse em processos judiciais.

Hinostroza, acusado de liderar uma quadrilha na justiça peruana, presidia a Segunda Sala Penal Transitória da Corte Suprema de Justiça do Peru, que julgaria dois recursos apresentados por Keiko para arquivar a investigação sobre lavagem de dinheiro.

O juiz também disse que entre o dinheiro lavado pelo Força 2011 há US$ 1 milhão da construtora brasileira Odebrecht que procedia do departamento da empresa para pagamento de propinas em diversos países da América Latina em troca de favorecimento na contratação para a execução de obras públicas.

A advogada de Keiko Fujimori, Giuliana Loza, apelou imediatamente contra a decisão jusicial.

O juiz afirmou que essa "organização criminosa" integrada por 13 pessoas tommava as decisões do partido fujimorista, "passando por cima do comitê político" e da bancada parlamentar. Segundo ele, a meta da organização era "obter poder político para poder cometer delitos de corrupção". Carhuancho agora deve emitir penas de prisão para outros 10 acusados no mesmo caso.

O juiz ordenou a detenção imediata de Keiko, de 43 anos, que abraçou seu marido, Mark Vito Villanella, antes de ser levada para a prisão por vários policiais. "Isto tem sido um linchamento político", disse chorando Villanela à imprensa, enquanto Keiko era levada à carceragem do Palácio de Justiça, onde passará sua primeira noite presa. Depois, ela será transferida para um presídio feminino.

No dia 18,  um tribunal de apelações do Peru decretou a libertação de Keiko, que havia sido presa uma semana antes por suposto recebimento de suborno do grupo Odebrecht para sua campanha eleitoral em 2011. / EFE e AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.