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Justiça envolve freiras em esquema de corrupção kirchnerista

Vídeo de câmeras de segurança de convento onde ex-secretário de Obras tentou esconder US$ 8,9 milhões mostra que religiosas não foram surpreendidas pelo ex-funcionário

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

13 de julho de 2016 | 15h12

BUENOS AIRES - As freiras do convento em que o ex-secretário de Obras kirchnerista José López tentou esconder US$ 8,9 milhões há um mês mentiram. Um vídeo gravado com câmaras de segurança mostra que as religiosas não foram surpreendidas pelo o ex-funcionário que chegou de madrugada com sacolas cheias de notas. 

Nas imagens divulgadas na noite da terça-feira 12 pelo canal Telefé, López toca a campainha e deixa um fuzil no piso ao lado da porta da casa principal, já dentro da área cercada do monastério. Ele solta algumas bolsas no chão enquanto espera. Uma das freiras abre a porta e o ajuda a colocar as sacolas para dentro.

O vídeo indica uma proximidade maior entre o kirchnerista do que as religiosas relataram em suas primeiras declarações. López está calmo enquanto espera para entrar, o que também derruba o depoimento inicial delas de que ele aparentava ansiedade para deixar as sacolas. López ficou durante uma hora dentro do convento até que a polícia chegasse, alertada por um vizinho que estranhou o carro com o motor ligado do lado de fora.

O vídeo, extraído de câmaras do próprio centro religioso, não permite concluir se as moradoras do convento Monjas Orantes y Penitentes de Nuestra Señora del Rosario de Fátima conheciam o conteúdo das bolsas. Elas disseram inicialmente que achavam tratar-se de comida. 

As contradições foram suficientes para o promotor federal Federico Delgado chamar nesta quarta-feira, 13, as religiosas para interrogatório na condição de suspeitas. Investigação sobre ligações nas horas prévias ao flagrante indica que entre o celular da mulher de López e o da irmã Alba, de 94 anos, que comanda o lugar, houve 11 chamadas. Isso foi interpretado como mais um indício de que Alba e as religiosas sabiam que o homem as visitaria.

Em uma área de ruas de terra, o único trecho de asfalto é o da entrada do monastério cercado por arame farpado em General Rodríguez, a 50 km de Buenos Aires. Até sua morte, há dois meses, ali morava um dos líderes da Igreja Católica argentina, o arcebispo Rubén di Monte, amigo do ex-ministro do Planejamento kirchnerista Julio de Vido, hoje deputado. Ele era chefe imediato de López, que coordenou a distribuição de obras públicas nos governos de Néstor (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015).

A descoberta de criptas vazias dentro da capela do convento dias após o flagrante levou investigadores a desconfiarem de que elas poderiam ser usadas para esconder o dinheiro. A Igreja Católica respondeu que é um costume enterrar os religiosos em templos e considerou absurda a hipótese de que as freiras pudessem ser cúmplices do esquema de corrupção. 

 

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