Justiça equatoriana mantém 12 policiais detidos

Um total de 12 policiais equatorianos foram transferidos hoje para uma penitenciária pública pela suposta participação no motim de 30 de setembro, ao qual também foram vinculados indivíduos da Força Aérea Equatoriana.

AE-AP, Agência Estado

07 de outubro de 2010 | 19h17

Durante a suposta tentativa de golpe, o Equador ficou à beira da ruptura democrática. Pelo menos sete pessoas foram mortas quando um comando militar leal invadiu um hospital onde o presidente do país, Rafael Correa, estava cercado por policiais amotinados. Aos 12 policiais detidos se soma um militar que permaneceu preso, o major da reserva do exército Fidel Araujo, que pertence ao partido opositor Sociedade Patriótica, acusado por Correa de conspiração.

Após uma audiência de sete horas, a juíza de Garantias Penais de Pichincha, Tania Molina, ratificou a ordem de prisão, o que permite à procuradoria manter os policiais detidos por mais 90 dias, a menos que eles apresentem provas que permitam a libertação. Os 12 policiais foram transferidos, sob custódia militar, à penitenciária 4 de Quito.

O advogado de defesa dos policiais, Patricio Armijos, disse que irá apelar ao tribunal provincial de Justiça. "Espero que a prisão preventiva seja revogada", disse Armijos, afirmando que a procuradoria não tem provas de responsabilidade de nenhum policial nos eventos do dia 30. "Eles serão declarados inocentes, porque essa é a realidade histórica dos acontecimentos".

Segundo ele, três dos policiais que estavam detidos foram libertados por falta de provas e 27 receberam a ordem de se apresentar ante a Justiça uma vez por semana enquanto as investigações prosseguem. O procurador da província de Pichincha, cuja capital é Quito, Marco Freire, disse que também serão investigados dezenas de militares da Força Aérea, que em 30 de setembro tomaram os aeroportos internacionais de Quito e Guayaquil e com isso "interromperam os voos nacionais e internacionais".

Hoje, o ex-presidente equatoriano Lúcio Gutiérrez, que governou entre 2002 e 2005, rechaçou as "palavras falsas e mentirosas do presidente. Primeiro porque disse que houve uma tentativa de golpe de Estado e em segundo porque culpou a mim. Isso é uma insanidade. Não houve tentativa de golpe de Estado, isso existe só na mente perversa do presidente". Correa acusou Gutiérrez de ser um dos mentores da tentativa de golpe.

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