REUTERS/Henry Romero
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Justiça equatoriana ordena a prisão preventiva do ex-presidente Rafael Correa

Procuradoria havia feito o pedido após Correa descumprir medida cautelar de comparecer a um tribunal equatoriano por ligação com o sequestro do ex-deputado Fernando Balda, em 2012

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2018 | 18h35
Atualizado 03 Julho 2018 | 21h20

QUITO - A Justiça do Equador acatou nesta terça-feira um pedido da Procuradoria e emitiu uma ordem de prisão preventiva com fins de extradição contra o ex-presidente Rafael Correa, que vive na Bélgica. O ex-presidente é acusado de “formação de quadrilha” e de participação no sequestro do ex-deputado Fernando Balda, um dos mais conhecidos políticos de oposição a Correa, que governou entre 2007 e 2017. 

 Balda era um duro crítico do governo Correa e o acusava de corrupção. O presidente, por sua vez, dizia que Balda era autor de uma trama para derrubá-lo. Quando as tensões aumentaram, Balda se refugiou na Colômbia. 

 A juíza Daniela Camacho “nega o pedido de revisão das medidas cautelares à defesa do ex-presidente Rafael Correa e decide impor a prisão preventiva e emite um alerta vermelho para a Interpol”, afirmou a Corte Nacional de Justiça por meio do Twitter. 

Pouco antes de saber da decisão de Camacho, Correa escreveu em sua conta no Twitter: “Sabem quanto êxito terá esta farsa internacional? Não se preocupem, tudo é questão de tempo. Venceremos!” 

Ele nega qualquer participação no caso e alega que é alvo de uma perseguição política e da imprensa. Seu advogado disse que vai recorrer da decisão.

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 Balda denunciou o sequestro em 2012, mas o Ministério Público iniciou uma investigação reservada. Conforme o relato de Balda, o sequestro ocorreu na Colômbia, em 13 de agosto de 2012, quando foi abordado por cinco pessoas – quatro homens e uma mulher – e colocado violentamente em um carro. Ele se salvou graças a taxistas que chamaram a polícia. 

O veículo foi localizado e uma pessoa foi detida pela polícia colombiana. As investigações determinaram que três agentes de inteligência da polícia equatoriana haviam contratado os sequestradores, que agora estão presos.

Nesse caso, estão vinculados o ex-diretor de inteligência da polícia general Fausto Tamayo e o ex-secretário nacional de inteligência Pablo Romero.

Apesar de o MP equatoriano ter solicitado como medida cautelar que Correa se apresentasse periodicamente à Embaixada do Equador na Bélgica, a juíza decidiu que a apresentação deveria ocorrer na secretaria da Corte Nacional de Justiça em Quito, a cada 15 dias, já que o ex-presidente mantém a nacionalidade equatoriana. Correa compareceu na segunda-feira ao consulado em Bruxelas, mas a juíza rejeitou tal ação. O procurador-geral Paúl Pérez também havia solicitado a notificação à Interpol por meio da divulgação de um alerta vermelho para a busca e captura de Correa.

Correa é casado com a belga Anne Malherbe Gosselin e vive há um ano na Bélgica desde que deixou a presidência do Equador, em 2017. 

Em declarações à mídia, Balda disse ontem que iniciará uma campanha para convencer os governos europeus a não conceder asilo a Correa. “Vou às embaixadas com meu advogado, começando pela da Bélgica, para apresentar evidências provando que isso não se trata de uma perseguição política, mas de um crime de Estado”, acrescentou Balda. / AFP e EFE

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