AFP PHOTO / LLUIS GENE
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Justiça espanhola aperta cerco sobre independentistas catalães

Membros da polícia catalã e dirigentes de duas associações independentistas deverão prestar depoimento na sexta-feira na Audiência Nacional, a principal instância penal espanhola; possível condenação pode chegar a 15 anos de prisão

O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2017 | 13h37

MADRI - A justiça espanhola convocou a prestar depoimento por suspeita de sedição o comandante da polícia, uma subalterna da corporação, e dois líderes independentistas da Catalunha, cujo governo, decidido a declarar a independência, foi acusado de "deslealdade" pelo rei Felipe VI em um discurso no qual pediu ao Estado que defenda a ordem.

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O comandante dos Mossos d'Esquadra, Josep Lluís Trapero, uma subalterna, a intendente Teresa Laplana, e os líderes independentistas Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, dirigentes de duas associações independentistas - Assembleia Nacional Catalã e Omnium Cultural, respectivamente - devem prestar depoimento na sexta-feira na Audiência Nacional, a principal instância penal espanhola.

A investigação está relacionada com as manifestações realizadas diante de uma dependência do governo catalão em Barcelona nos dias 20 e 21 de setembro, quando a Guarda Civil realizava uma operação no local.

Os manifestantes danificaram veículos da Guarda Civil estacionados diante do prédio e impediram saída dos agentes até a madrugada. O delito de sedição pode resultar em uma pena máxima de prisão de 10 anos para cidadãos comuns e 15 anos no caso de autoridades.

Em Barcelona, os independentistas catalães, liderados pelo presidente do governo regional Carles Puigdemont, definirão nesta quarta-feira os próximos passos na disputa com o governo espanhol.

Puigdemont deve revelar em um discurso o que seu governo fará após o referendo de independência de domingo, considerado inconstitucional pela Justiça e reprimido com violência pela polícia espanhola.

Além disso, representantes dos partidos devem se reunir no Parlamento regional para decidir a data em que poderia ser declarada a independência, o que deve ocorre após a apuração de todos os votos do plebiscito, do qual já foi anunciado que o "Sim" venceu com mais de 90% dos votos.

O Parlamento Europeu, em meio a pedidos de mediação internacional e defesa da Espanha como uma democracia estável, também debate nesta quarta-feira a situação na Catalunha.

Tudo isto apenas um dia depois do discurso do rei Felipe VI da Espanha, que pediu a defesa da "ordem constitucional da deslealdade" dos independentistas, em uma mensagem sem concessões.

O porta-voz do governo catalão, Jordi Turull, afirmou na televisão pública regional TV3 que o monarca "jogou gasolina na fogueira". "Foi espantoso e um erro de todos os pontos de vista", disse o porta-voz, que acusou o monarca de esquecer dos catalães.

No primeiro discurso institucional de seu reinado, Felipe VI recordou que "é responsabilidade dos legítimos poderes do Estado assegurar a ordem constitucional e o normal funcionamento das instituições".

"Determinadas autoridades da Catalunha, de maneira reiterada, consciente e deliberada, vieram descumprindo a Constituição e seu Estatuto de Autonomia", disse.

"Com suas decisões, vulnerabilizaram de maneira sistemática as normas aprovadas legal e legitimamente, demonstrando uma deslealdade inadmissível", completou o rei, sem mencionar em nenhum momento a violência registrada durante o domingo. / AFP

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