Justiça espanhola investiga adoções ilegais na Galícia

Mulheres sem recursos financeiros são ameaçadas e forçadas a assinar papéis que autorizam doação

FERNANDA SIMAS, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h03

A Justiça espanhola investiga possíveis adoções ilegais ocorridas na cidade de Lugo. A chamada Operação Bebê teve início em 2010 após a denúncia de quatro advogadas que detectaram irregularidades na tramitação de processos de adoção por parte do governo da Galícia. Atualmente, mais de uma dúzia de casos são investigados.

De acordo com as denúncias, as mães foram separadas de seus filhos recém-nascidos por meio de manobras realizadas por funcionários públicos. A juíza Estela San José, do Tribunal de Instrução número 3, de Lugo, que cuidava do caso até este ano, descreveu, na ocasião, que as adoções ocorriam com base em laudos médicos "que não existem" e em "decisões administrativas tomadas em situações que parecem não ter ocorrido."

A partir deste ano, o caso passou a ser investigado pelo Tribunal de Instrução número 2, porque Estela San José alegou ter criado relações de amizade com uma das denunciantes e se retirou do processo. Os casos começaram a ser investigados após a Operação Carioca - que investigava a relação de prostitutas com funcionários públicos.

Uma das testemunhas relatou que ficou grávida do principal acusado, dono de um bordel, e foi pressionada a dar o bebê para adoção. Assim, mais denúncias chegaram à Justiça e a operação começou.

Um dos focos da investigação é a Casa Madre Encarnación, que acolhe mães nos últimos meses de gravidez e sem recursos financeiros ou família e é citada pelas vítimas.

Diversos casos relatados pelo jornal El País mostram o mesmo roteiro: mulher grávida sem condição financeira que é forçada a entregar o filho, adotado de forma irregular. Em 2006, uma brasileira que era prostituta na cidade passou os últimos meses de gravidez na Casa Madre Encarnación. Como não tinha dinheiro ou trabalho, a mulher foi convencida a assinar papéis abrindo mão da criança. Depois de 30 dias, a brasileira se jogou do oitavo andar e ficou tetraplégica.

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