REUTERS/Francois Lenoir
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Justiça espanhola investiga espionagem a ex-presidente do Equador Rafael Correa

Empresa espanhola Undercover Global teria preparado relatórios sobre reuniões do ex-presidente e invadido os celulares da esposa e das filhas dele

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2020 | 12h12

MADRI - Um alto tribunal espanhol admitiu investigar se o ex-presidente do Equador, Rafael Correa, foi vítima de espionagem por uma empresa espanhola também denunciada pelo fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

O juiz do Tribunal Nacional de Madri, que está estudando a ação de Assange, admitiu em junho uma queixa do ex-presidente equatoriano contra a empresa Undercover Global e seu gerente David Morales Guillén, segundo autos processuais consultados pela agência de notícias francesa AFP.

Na denúncia, Correa acusa a empresa, que lhe prestou serviços de segurança até 2019, de realizar "acompanhamentos e fotografias" de suas reuniões com o advogado de Assange, o espanhol Baltasar Garzón, e de preparar relatórios em inglês sobre outras reuniões realizadas na Bélgica.

O ex-presidente também acusa a Undercover Global de acessar os dispositivos telefônicos de suas filhas, "acessando seus chats, conversas telefônicas e imagens" e de capturar "fotografias íntimas" de uma delas, aponta o processo.

Para o juiz instrutor, José de la Mata, esses fatos "podem constituir crimes contra a privacidade", de modo que "o processo é admissível pela denúncia contra David Morales Guillén e Undercover Global". Na ordem de 22 de junho, o magistrado estipulou a abertura de um caso separado, no qual ele pede que se convoque Correa, sua esposa e filhas para testemunhar por videoconferência.

A Undercover Global está sob o foco da justiça espanhola em uma ação de Assange por suposta espionagem. A empresa era responsável pela segurança da embaixada do Equador em Londres, onde o fundador do WikiLeaks ficou asilado de 2012 a 2019.

Assange diz que a empresa interceptou suas comunicações na embaixada e as encaminhou às autoridades dos Estados Unidos, cujo departamento de Justiça quer julgá-lo pelo vazamento de milhares de documentos militares e diplomáticos confidenciais em 2010./ AFP

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