Foto: EFE|Enric Fontcuberta
Foto: EFE|Enric Fontcuberta

Justiça espanhola mantém ex-vice-presidente catalão na prisão

Decisão tem implicações políticas em plenas negociações dos partidos independentistas para formar governo após as eleições do dia 21

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2018 | 13h04
Atualizado 05 Janeiro 2018 | 18h40

MADRI - O Supremo Tribunal da Espanha decidiu nesta sexta-feira, 5, manter a prisão preventiva o ex-vice-presidente catalão Oriol Junqueras, , um dos líderes do movimento independentista presos após a deposição do governo regional da Catalunha , no final de outubro.  

A decisão é crucial para a sorte dos secessionistas porque, se tivesse sido colocado em liberdade, Junqueras seria candidato ao governo da Catalunha na votação prevista para 23 de janeiro no Parlamento, onde os independentistas terão maioria mais uma vez após as eleições de 21 de dezembro. 

Segundo o juiz Miguel Colmenero, a defesa da independência da Catalunha em si não configura crime, mas a forma como o processo foi realizado, contrariando a Constituição da Espanha, por exemplo quando da realização de um plebiscito não autorizado por Madri. “O recorrente pode defender a pertinência, a conveniência ou o desejo de lograr a independência de uma parte da Espanha sem cometer nenhum delito”, reiterou o magistrado. Mas, frisou, isso tem de ser feito dentro da lei e por isso os detidos – além de Junqueras, ex-secretários de Estado, assessores e militantes secessionistas estão atrás das grades – “não se pode falar de presos políticos”. 

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Da prisão, Junqueras escreveu via redes sociais exortando que os independentistas mantenham a mobilização social. "Nestes dias que virão, permaneçam fortes e unidos. Transforme a indignação em coragem e perseverança. Transforme raiva em amor. Sempre pense nos outros”, pregou, garantindo que seguirá na luta: "Persisto porque persistirei. Obrigado a todos por seu apoio”.

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A eventual liberação de Junqueras lançaria o movimento independentista em uma encruzilhada, já que o ex-governador da Catalunha, Carles Puigdemont, também deposto e hoje exilado na Bélgica, almeja concorrer no voto do Parlamento e governar à distância, já que pode ser preso se retornar à Espanha. Nesse caso não estava afastada uma disputa de poder entre Junqueras e Puigdemont, que poderia dividir em dois o bloco, enfraquecendo o movimento secessionista.

 

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