Gonzalo Fuentes/Reuters
Gonzalo Fuentes/Reuters

Justiça francesa vincula islamitas detidos à Al Qaeda

Procurador-chefe de Paris, François Molins, forneceu detalhes das investigações sobre o grupo salafista Forsane Alizza desde 2011

Efe,

03 de abril de 2012 | 07h59

PARIS - A Justiça francesa indicou nesta terça-feira, 3, que os 17 islamitas detidos na última sexta, 30, em várias cidades do país mantinham relações com a Al Qaeda e alguns estavam armados, embora não tivessem contato com Mohammed Merah, que matou sete pessoas em Toulouse e Montauban.

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O procurador-chefe de Paris, François Molins, forneceu detalhes das investigações sobre o grupo salafista Forsane Alizza desde outubro de 2011, cujos membros realizavam treinamentos físicos havia meses e recebiam doutrinamento religioso.

Eles previam "cometer ações violentas em território francês" para o qual receberam treinamento físico, em particular em parques e florestas da região de Paris, e tinham comprado armas, dez destas foram apreendidas na operação policial de sexta, contou o promotor em entrevista coletiva.

Os detidos, 13 dos quais são apresentados nesta terça-feira diante do juiz para receberem a sentença preparavam ações na França, como o sequestro de um magistrado de Lyon e contra representantes religiosos, informou Molins.

Um deles, Mohammed Achamlane, ao quais os membros do grupo denominavam "o emir", aparece como o chefe do Forsane Alizza, organização dissolvida no início de março pelo Ministério do Interior após a investigação judicial aberta pela Procuradoria em 28 de novembro, com base em informações dos serviços secretos franceses.

O representante do Ministério Público especificou que os detidos nesta operação "não têm qualquer relação com o caso de (Mohammed) Merah", em alusão ao autor confesso das mortes de Toulouse e Montauban, e que não tiveram contato com ele nem com seu irmão, Abdelkader, atualmente preso. Explicou que em seu site, o Forsane Alizza reivindicava "a criação de um califado na França", a aplicação da sharia (a lei islâmica) e se preparava para "uma guerra civil".

Os chefes deste grupo salafista, que além de Paris tinham presença em outras cidades francesas como Lyon, Nantes, Marselha e Nice, mantinham reuniões semanais.

Na sexta-feira, a Polícia deu início a uma operação pela relação existente entre a vontade de se armarem e o fato comprovado em vídeo de legitimar a Jihad (a guerra santa). Molins contou que os juízes instrutores não queriam correr riscos levando em conta as provas que tinham acumulado contra eles.

Outra justificativa é que havia "poucas dúvidas sobre as intenções do grupo", e para ilustrá-lo referiu-se ao comunicado (sem data) no qual exigia da França "um pacto de não agressão à comunidade muçulmana" que devia traduzir-se no fim da intervenção militar em países de maioria islâmica. Em caso contrário, a organização se consideraria "em guerra".

A Procuradoria vai pedir a acusação dos membros da rede apresentados diante do juiz por terrorismo (delito punido na França com até dez anos de prisão) e por posse e transporte de armas, assim como a entrada em prisão provisória.  

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