Natacha Pisarenko| AP
Natacha Pisarenko| AP

Justiça inclui empresa brasileira em investigação contra Macri

Juiz Sebastián Casanello formalizou diligências para saber se há ligação das empresas Fleg Trading e Kagemusha, com outras companhias da família do presidente argentino

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

02 Junho 2016 | 08h09

BUENOS AIRES - A Justiça argentina ampliou na quarta-feira a investigação que apura se o presidente Mauricio Macri omitiu propositalmente sua presença na diretoria de duas offshores em paraísos fiscais. A pedido do kirchnerismo, o juiz Sebastián Casanello formalizou diligências para saber se há ligação das empresas Fleg Trading e Kagemusha, com outras companhias da família do chefe de Estado.

Entre as empresas alvo da nova fase da investigação está a Global Collection Services, controladora da Global Services do Brasil, que começou a atuar no País em 2001 para instalar o serviço de cobrança Pague Fácil. Macri alegou em sua defesa logo após a divulgação da existência da Fleg em 3 de abril, pela investigação internacional Panamá Papers, que essa firma tinha sido criada por seu pai para negócios no Brasil que nunca se concretizaram. 

Macri disse que nunca declarou sua participação na Fleg, que funcionou entre 1998 e 2009, porque não recebia remuneração. Funcionários da presidência sustentam que ele até desconhecia a existência da offshore, presidida por seu pai, Franco Macri, então um dos empresários mais poderosos da Argentina. 

O presidente da Pague Fácil no Brasil foi o argentino Marcelo Antonio Temporini. Ao Estado, Temporini disse ter sabido da existência da Fleg só agora. "Posso assegurar que essa empresa panamenha não teve ligação direta com a Pague Fácil, que funcionou até meados de 2002 e fechou por falta de investimentos para expandir a operação”, argumentou. Sob o nome de Global Collection do Brasil, a Pague Fácil chegou a ter funcionários, sedes e registro na Junta Comercial de São Paulo. O Judiciário busca algum elo entre a Pague Fácil e a offshore Fleg para debilitar o argumento presidencial.

A Justiça pediu cópias dos arquivos de quatro empresas da família do presidente, de 1985 até 2007, além das últimas declarações de bens apresentadas por ele. Também foi solicitado que se verifique indícios de operações suspeitas no Brasil, na Grã-Bretanha, no Uruguai, no Panamá e nas Bahamas. 

Um advogado de Macri sustentou, na semana passada, que a investigação tomava ares de uma "excursão de pesca", sugerindo que as solicitações de documentos estavam indo além do objeto da causa. Um exemplo seria o pedido para averiguar a partilha nos dois divórcios de Macri. 

Em sua última declaração de bens, Macri informou ter 110 milhões de pesos (R$ 28 milhões), 108% a mais do que em 2015. Ele atribuiu o incremento ao fato de ter passado a dar cotação real a ações que antes tinham valor simbólico de 1 centavo. Uma investigação paralela por enriquecimento ilícito foi aberta, também a pedido do kirchnerismo. 

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