Justiça indonésia absolve Suharto de desvio de verbas

Justiça diz que ditador indonésio morto não poderia ser responsabilizado por decisões aprovadas por fundação

REUTERS

27 de março de 2008 | 10h38

Um tribunal indonésio absolveu nesta quinta-feira, 27, o falecido ditador Suharto num processo civil sobre o suposto desvio de verbas de uma entidade beneficente dele. Mas a Justiça determinou que a fundação Supersemar pague cerca de US$ 110 milhões ao governo. O processo é visto como um teste para o compromisso do governo em combater a cultura de corrupção que tomou conta do país durante o longo regime de Suharto. Uma junta de juízes do tribunal da zona sul de Jacarta concluiu que Suharto não poderia ser pessoalmente responsabilizado, já que as decisões eram aprovadas pelo conselho de direção da fundação. "Não ficou provado que o primeiro réu (Suharto) tenha violado qualquer lei", disse o juiz Wahyono (que, a exemplo de Suharto e muitos outros indonésios, usa um só nome). O processo aberto pelo Ministério Público solicitava a devolução de US$ 440 milhões em verbas públicas e ainda uma indenização de 10 trilhões de rúpias (US$ 1,09 bilhão) ao Estado. Suharto, que governou a Indonésia com mão de ferro por 32 anos, até 1998, morreu em janeiro, aos 86 anos. A Justiça em seguida determinou que um de seus filhos o substituísse como réu. Juan Felix Tampubolon, advogado da fundação, prometeu recorrer.  Nenhum dos filhos de Suharto assistiu à audiência. A família Suharto criou um império empresarial a partir do poder do patriarca, o que inclui hotéis, pedágios, fábricas de automóveis, empresas aéreas e canais de TV. A ONG Transparência Internacional apontou Suharto como o maior cleptocrata (governante ladrão) do mundo, com uma fortuna estimada entre US$ 15 e 35 bilhões.

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