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Justiça inocenta Sarkozy de explorar empresária para financiar campanha

Ex-presidente francês era suspeito de obter doações ilegais de bilionária interditada judicialmente

Andrei Netto - CORRESPONDENTE,

07 de outubro de 2013 | 15h19

PARIS - O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy foi inocentado nesta segunda-feira, 7, pela Justiça pelas acusações de "abuso de fraqueza" da bilionária Liliane Bettencourt, proprietária da gigante de cosméticos L'Oréal. Sarkozy era suspeito de ter explorado a empresária, interditada pela Justiça a pedido da própria família, na campanha de 2007, quando teria obtido doações ilegais para seu partido, a União por um Movimento Popular (UMP).

Outros 10 personagens do caso ainda serão julgados pelo crime, entre eles o ex-tesoureiro da UMP e ex-ministro do Orçamento da França Eric Woerth, um dos braços direitos de Sarkozy na sua carreira política. Além dele, dois envolvidos que deverão ser levados a julgamento pelo Tribunal Correcional de Bordeaux em 2014 são François-Marie Barnier, fotógrafo e amigo íntimo da bilionária, e Pascal Wilhelm, advogado e gestor da fortuna de Liliane Bettencourt.

Segundo documentos do inquérito obtidos pelo jornal Le Monde, Sarkozy aparecia até aqui nas investigações como o cérebro de um sistema organizado para arrecadar recursos em dinheiro vivo sacados das contas bancárias da bilionária e jamais apareceram na contabilidade oficial da UMP. O esquema teria sido mais ativo em 2007, época que em Woerth arrecadava fundos para o partido e em que Sarkozy despontava como o franco favorito para chegar ao Palácio do Eliseu.

Ainda de acordo com o Monde, o desafio dos procuradores era provar que Liliane Bettencourt fora de fato vítima de "abuso de fraqueza", um crime difícil de ser provado. Nem mesmo a identificação de sete movimentações suspeitas das contas de Liliane Bettencourt entre 2007 e 2009, em um total de € 4 milhões, foi suficiente para atestar o envolvimento do ex-chefe de Estado.

"A Justiça acaba de me declarar inocente no Caso Bettencourt. Dois anos e meio de investigação. Três juízes. Dezenas de policiais. Vinte e duas horas de interrogatórios e acareações. Quatro buscas. Centenas de reportagens que colocaram em questão minha probidade durante a campanha presidencial", enumerou o ex-presidente, em um comunicado publicado em sua conta no Facebook. "Foi o preço a pagar para que a verdade enfim seja estabelecida."

Com o fim de seu envolvimento no Caso Bettencourt, o ex-presidente tem agora um obstáculo a menos na sua esperada volta à cena política da França, ainda que responda a outros processos, entre os quais o Caso Karachi, de venda de armas e financiamento ilegal de campanhas nos anos 1990. Sarkozy agora sofre a concorrência de seu ex-primeiro-ministro, François Fillon, dentro da UMP, mas ainda é o nome mais forte da centro-direita para as eleições de 2017. A expectativa é de que ele enfrente o atual presidente, François Hollande, do Partido Socialista (PS), e a líder de extrema direita Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN).

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