AFP PHOTO / Raymond ROIG
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Justiça investigará uso excessivo de força por policiais na Catalunha

Passividade dos Mossos d’Esquadra também será investigada por suspeita de que permitiram a ocupação de prédios

Andrei Netto, enviado especial / Barcelona, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 05h00

BARCELONA - Em meio às cenas de violência na Catalunha, diferentes investigações serão abertas na Justiça para verificar o uso excessivo da força pela Guarda Civil e pela Polícia Nacional espanholas, enviadas pelo governo de Mariano Rajoy, e a passividade das forças de ordem regionais, chamadas Mossos d’Esquadra, em Barcelona.

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Em razão da violência, a prefeita da capital catalã, Ada Colau, anunciou que a administração oferecerá assistência jurídica aos feridos durante os choques com a polícia, abrindo a porta para processos contra o Estado central e as forças de ordem. Segundo ela, Rajoy foi “covarde” ao enviar tropas de choque para tentar impedir a votação, e acabou autorizando o uso “desproporcional e injustificado” da “ofensiva policial” contra a população da Catalunha. 

Segundo o delegado do governo central da Espanha, Enric Millo, a polícia tinha mandado judicial para agir e impedir a votação. “O estado de direito funciona e tem de funcionar. Isso estava fadado ao fracasso”, reiterou. “O governador da Catalunha e sua administração são os únicos responsáveis pelo que se passou. Não tem nenhum sentido continuar com essa farsa.” 

De outro lado, seis juízes nacionais investigarão a atuação da política regional, a Mossos d’Esquadra, durante a realização do plebiscito. A suspeita é a de que os agentes ignoraram a ordem de fechar escolas que abrigariam as seções eleitorais, permitindo que os prédios públicos fossem ocupados por estudantes e militantes da causa independentista. Os agentes da Mossos d’Esquadra não entraram em choque com a população.

Mais de 17 mil homens estavam mobilizados, mas eles não intervieram nas escolas ocupadas por pais, alunos e militantes da causa separatista.

Uma das questões sobre o tema é se o governo de Mariano Rajoy não vai adotar represálias contra a Mossos d’Esquadra, instituição que é um dos símbolos históricos da autonomia da Catalunha. Entre os catalães, muitos demonstram preocupação com o risco de violência envolvendo as polícias nacionais e a regional. 

“Este país passou por uma guerra civil horrível há algumas décadas e por uma ditadura muito longa. Muitas pessoas temem o que possa ocorrer no futuro”, disse ao Estado o motorista Fernando Muñoz, nascido em Córdoba, no sul da Espanha. Contrário à independência, ele não poupou de críticas nenhum dos lados em conflito. “Os governos da Catalunha e da Espanha erraram muito em tudo o que fizeram nas últimas semanas.” 

 

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