Azad Lashkari / Reuters
Azad Lashkari / Reuters

Justiça iraquiana manda prender comissão de referendo separatista curdo

Decisão foi anunciada depois que o Conselho de Segurança Nacional, presidido pelo primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi, apelou na Justiça contra a região autônoma

O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2017 | 11h57

BAGDÁ - Um tribunal de Bagdá ordenou nesta quarta-feira, 11, a prisão do presidente e de dos dois membros da Comissão que organizou o referendo sobre a independência do Curdistão iraquiano, a pedido do governo iraquiano, que multiplica as medidas de retaliação contra a região autônoma.

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Duas semanas após a vitória esmagadora do "sim" durante o polêmico referendo de autodeterminação no referendo de 25 de setembro - considerado ilegal pelo poder central iraquiano - a ordem para prender os responsáveis ​​pela organização da consulta foi proferida pelo tribunal de Rassafa, na margem leste do rio Tigre, que inclui metade da capital iraquiana.

A decisão foi emitida depois que o Conselho de Segurança Nacional, presidido pelo primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi, apelou na Justiça contra a região autônoma.

Hendry Saleh, presidente da comissão bem como Yari Hadji Omar e Wahida Yofo Hermez "organizaram o referendo em violação da decisão da Suprema Corte iraquiana", indicou à AFP Abdel Sattar al-Bireqdar, porta-voz da Suprema Corte iraquiana.

A Suprema Corte, a mais alta autoridade judicial, decidiu, em 18 de setembro, suspender a consulta na região autônoma do Curdistão, julgando contrária à Constituição.

A ordem de prisão impede que as três autoridades curdas, que viajaram várias vezes para Bagdá para encontrar membros do governo central com a aproximação do referendo, circulem nas províncias iraquianas fora dos três governadorias da região autônoma.

Fora esta limitação de circulação, os três não devem se preocupar, uma vez que estão em Erbil, onde os serviços de segurança são controlados pelos peshmergas, combatentes curdos, e onde as forças iraquianas não entram.

As conexões aéreas da região com o exterior foram cortadas por Bagdá logo depois do referendo.

"Não reconhecemos esta decisão e não damos a ela qualquer importância, uma vez que se trata de uma decisão política", reagiu à AFP Saleh, que comparou a ordem de prisão aos métodos do regime de Saddam Hussein, derrubado durante a invasão americana de 2003.

Na segunda-feira, o governo central anunciou novas medidas de retaliação contra o Curdistão iraquiano, multiplicando ameaças sem detalhar suas decisões.

Bagdá prometeu punir os funcionários públicos que participaram do referendo e exigiu retomar o controle sobre os ingressos do petróleo da região e das empresas de telefonia móvel.

Neste sentido, as autoridades colocaram em estado de emergência um oeloduto que liga os campos petrolíferos da província de Kirkuk (norte) com o porto turco de Ceyhan.

A exportação de petróleo sob controle curdo alcança uma média de 550.000 barris diários (b/d), dos quais a metade é extraída dos campos de Kirkuk.

Nesta quarta-feira da manhã, a Suprema Corte iraquiana declarou-se incompetente para decidir sobre o destino dos deputados do Parlamento de Bagdá que promoveram o referendo de independência no Curdistão iraquiano ou votaram durante a consulta. /AFP

 

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