Justiça israelense aprova expulsão de palestinos

O governo israelense recebeu nesta terça-feira o aval da Suprema Corte do país para expulsar da Cisjordânia dois palestinos que supostamente sabiam que seu irmão estava planejando um ataque suicida. Os nove juízes da máxima instância da Justiça israelense decidiram que a irmã e o irmão de Ali Ajouri - um ativista do grupo radical Hamas a quem Israel atribui o planejamento de vários atentados suicidas, incluindo um recente em Tel Aviv - deveriam ser punidos por não terem feito nada para impedir os ataques. Intisar e Kikah Ajouri serão transferidos para a Faixa de Gaza por um período de dois anos. Segundo o Exército israelense, a irmã, Intisar, chegou a costurar o cinto de explosivos usado em um dos ataques. A decisão foi criticada por grupos defensores de direitos civis dentro e fora de Israel, que alegam que ela se baseia no princípio da punição coletiva e, portanto, vai contra convenções internacionais.Mas Israel alega que a luta contra o extremismo palestino exige métodos extraordinários e afirma que a medida deve ajudar a prevenir futuros ataques. O governo do primeiro-ministro Ariel Sharon usa o mesmo argumento para justificar as demolições de casas de famílias de supostos militantes - outra prática israelense que vem provocando polêmica.Em outra decisão, no entanto, a Suprema Corte determinou que o governo não poderia expulsar o palestino Abfel Nasser Asidi por não ter provas suficientes de que ele sabia dos ataques planejados pelo irmão, um militante do Hamas acusado de dois atentados que deixaram 19 israelenses mortos. Assim como os irmãos de Ali Ajouri, Asidi havia apresentado um recurso de apelação contra a decisão do governo. A decisão foi anunciada horas depois de o ministro do Interior palestino, Abdel Razzak, fazer um novo apelo para grupos extremistas para interromper os ataques contra israelenses. Razzak, que está analisando com os Estados Unidos a implementação de medidas de segurança pedidas por Washington nos territórios palestinos, disse que os atentados prejudicam a causa palestina. O ministro admitiu que a Autoridade Palestina tem enfrentado grandes dificuldades para retomar o controle de áreas sob seu domínio.Razzak era um dos negociadores de uma proposta pela qual Israel se retiraria de territórios palestinos cujas autoridades locais assumissem a responsabilidade pela segurança, ou seja, contivessem atentados. O plano foi implementado em Gaza, mas fracassou nos outros territórios. Uma autoridade do governo israelense elogiou as declarações do ministro, mas disse que Israel quer ações, não apenas palavras.Grandes Acontecimentos InternacionaisESPECIAL ORIENTE MÉDIO

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.