Ariel Schalit/AP
Ariel Schalit/AP

Justiça israelense reaviva tensões ao aprovar serviço militar de ortodoxos

Fundador de Israel, David Ben Gurion, decidiu em 1949 excluir os religiosos do serviço militar porque eram fiadores da perpetuação dos estudos da religião judaica

O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2017 | 12h18

O Tribunal Supremo de Israel decidiu na terça-feira,11, que judeus ultraortodoxos terão de cumprir o serviço militar como os demais habitantes do país, em uma decisão que deve reavivar tensões entre laicos e religiosos no país. Apesar da provável ira dos ortodoxos – base de sustentação do governo do premiê Binyamin Netanyahu –, a coalizão não está ameaçada. 

Os nove juízes da Corte invalidaram uma emenda de 2015 que adiava a aplicação da lei aprovada em 2014 que determinava a adesão dos ortodoxos ao serviço militar.  O fundador de Israel, David Ben Gurion, decidiu em 1949 excluir os religiosos do serviço militar porque eram fiadores da perpetuação dos estudos da religião judaica. 

Ao longo dos anos, com o aumento exponencial da população ortodoxa,  milhares de jovens foram ficando à margem do Exército.

"Todos os juízes consideraram que a nova emenda viola a igualdade", indica a decisão do tribunal, acrescentando que oito dos nove juízes vão ainda mais longe ao pedir que o texto seja retirado dos códigos.

A maior parte dos judeus de Israel é obrigada a entrar para o Exército, pela lei aos 18 anos, e os homens cumprem o serviço militar por dois anos e oitos meses, enquanto as mulheres por dois anos.

Muitos deles continuam sendo chamados ao serviço periodicamente até os 40 anos, quando passam a fazer parte da reserva militar.

"A maioria dos juízes emitiu um parecer de que a anulação da emenda deva ser aplicada somente um ano após a data da decisão para facilitar que a revisão da emenda possa ser aplicada", indica o resumo oficial do julgamento.

Este período dá tempo aos militares e políticos para encontrar uma fórmula alternativa que seja aceitável para a Suprema Corte e para os partidos políticos ultraortodoxos, cujo apoio é vital para conseguir uma maioria parlamentar no governo./ AFP

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