Rachel Corrie/Reuters
Rachel Corrie/Reuters

Justiça isralense inocenta Exército por atropelamento de ativista com escavadeira

Família da americana Rachel Corrie, que tentava evitar a demolição de casas palestinas, critica investigações sobre o caso e promete apelar da decisão.

Guila Flint, BBC

28 de agosto de 2012 | 08h30

TEL-AVIV - Um tribunal da cidade de Haifa, em Israel, rejeitou o recurso da família da ativista americana Rachel Corrie pedindo a responsabilização do Exército israelense pela sua morte, nesta terça-feira, 28. Corrie tentava proteger uma casa palestina da demolição quando foi atropelada por uma escavadeira militar em 2003, na faixa de Gaza.

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De acordo com a corte israelense, o atropelamento de Corrie foi "acidental" e o motorista que dirigia a escavadeira não podia ver a ativista, que se encontrava sobre um monte de areia, tentando impedir que o veículo destruísse uma casa palestina.

A família de Corrie pretende apelar da decisão do tribunal perante a Suprema Corte de Justiça de Israel. De acordo com o seu advogado, Hussein Abu Hussein, a corte "deu legitimidade para agressões a pesssoas inocentes e para violações de direitos humanos básicos" em Israel.

Segundo o tribunal israelense, "o campo de visão de uma escavadeira é limitado e o motorista não viu (a ativista)".

A corte também afirmou que o local onde Corrie se encontrava era uma "região de tiroteios e os soldados estavam expostos ao lançamento de granadas": "A falecida podia ter se afastado do perigo facilmente, mas escolheu se arriscar".

Protesto

Corrie, de 23 anos, pertencia ao Movimento de Solidariedade Internacional, que protesta contra a ocupação israelense dos territórios reivindicados pelos palestinos.

Em 16 de março de 2003, ela estava na cidade de Rafah, no sul da faixa de Gaza, quando escavadeiras do Exército israelense começaram a demolir casas pertencentes a civis palestinos.

Para a familia de Corrie, a investigação sobre a sua morte, conduzida pelo próprio Exército israelense, "não foi confiável, nem transparente, nem completa".

"O Estado de Israel tem a obrigação, pela lei internacional, de usar todos os meios possíveis para proteger civis dos riscos causados por operações militares. As tropas israelenses violaram esse princípio de forma brutal ao matar Rachel Corrie e devem ser responsabilizadas", disse Hussein.

"Estamos tristes e preocupados com a decisão do juiz Oded Gershon", afirmou a mãe de Corrie, Cindy. "Sabíamos de antemão que seria um processo difícil, mas queríamos apresentar os fatos e confrontar o sistema com perguntas duras. Não aceitamos a afirmação de que o motorista da escavadeira não viu Rachel. Ele sabia que ela estava lá."

Embaixador

A família de Corrie espera que o governo americano continue exigindo do governo israelense mais esclarecimentos sobre a morte da ativista.

Em um encontro recente com parentes da americana, o embaixador dos EUA em Israel, Daniel Shapiro, declarou que a investigação sobre o caso realizada por autoridades israelenses "não foi satisfatória nem completa".

Corrie não é a única ativista estrangeira morta por tropas israelenses. O britânico Thomas Hurndall foi alvejado na faixa de Gaza em 2003 e morreu depois de passar nove meses em estado de coma. Outros ativistas foram feridos em circunstâncias semelhantes.

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