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Justiça italiana condena presidentes e militares da Operação Condor

Sem conseguir avançar o julgamento em diversos países sul-americanos, famílias das vítimas levaram o caso para Roma há 17 anos

Jamil Chade, Correspondente / Genebra , O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2017 | 17h09

A Justiça da Itália condenou oito ex-presidentes e militares sul-americanos à prisão perpétua por assassinatos durante a ditadura e por terem sido agentes na Operação Condor. A diretriz uniu diversas ditaduras da América do Sul em ações que resultaram em sequestros, assassinatos e desaparecimentos de opositores políticos. Outros 19 militares denunciados pelo Ministério Público italiano foram absolvidos, muitos deles, uruguaios. 

Considerada um processo histórico, a sentença é a primeira de um país europeu contra os regimes militares do Cone Sul. Sem conseguir avançar o julgamento em diversos países sul-americanos, famílias das vítimas levaram o caso para Roma há 17 anos. Para justificar, se apoiaram no fato de que as vítimas da ditadura também eram cidadãos italianos, já que tinham dupla nacionalidade. Assim, o tribunal considerou legal a jurisprudência para avaliar o caso.

Inicialmente, o Ministério Público da Itália havia acusado os 33 militares pela morte de 25 pessoas. Seis seriam ítalo-argentinos, quatro, ítalo-chilenos, e outros 14, ítalo-uruguaios. Outras 20 vítimas uruguaias teriam sido mortas por Jorge Nestor Troccoli. Em seu caso, a procuradoria entendeu que, por viver na Itália, o ex-militar também poderia ser alvo de um processo. Mas o uruguaio foi absolvido. 

Desde o início do processo, alguns dos acusados já morreram. O último foi o tenente-general Gregorio Alvarez, presidente do Uruguai entre 1981 e 1985. Por isso, o número caiu de 33 para 27 pessoas. 

Nesta terça-feira, a juíza Evelina Canale anunciou a sentença e, entre os condenados, estão Luis García Meda Tejada, ex-presidente da Bolívia entre 1980 e 1981, e um de seus generais, Luis Arce Gómez. Entre os uruguaios, o único condenado foi Juan Carlos Blanco, ex-chanceler. Do Chile, foram condenados Jerónimo Hernán Ramírez e o coronel Pedro Richter Prada. 

O ex-presidente peruano Francisco Rafael Bermúdez Cerruti (1975-1980) também foi condenado, assim como o ex-chefe dos serviços secretos do país Luis Figueroa. Todos os condenados ainda poderão recorrer da decisão. No fim de fevereiro, a Justiça italiana começará o julgamento de quatro brasileiros acusados de participação no sequestro e morte do ítalo-argentino Lorenzo Vinãs durante a ditadura brasileira.

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