Justiça italiana liberta marroquinos presos na Bolonha

A Justiça italiana pôs em liberdade os quatro marroquinos e um italiano detidos na terça-feira sob suspeita de planejar um ataque contra a Basílica de São Petrônio de Bolonha, que abriga um polêmico afresco de Maomé, considerado "uma blasfêmia" pelos muçulmanos. Depois de longas horas de interrogatório, o juiz Diego Di Marco afirmou que não dispunha de elementos suficientes para manter a prisão preventiva dos cinco homens. O tribunal não renovou o pedido de detenção. No entanto, a investigação continua. Em seu depoimento, o professor italiano Germano Caldon, de 55 anos, declarou que foi ele quem propôs aos marroquinos visitar a basílica. Os quatro norte-africanos contam com permissões de permanência na Itália totalmente regulares, e autorizações de trabalho. Os cinco foram detidos enquanto filmavam o interior da igreja. No vídeo apreendido, é possível escutar os detidos mencionando o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, e fazendo comentários "estranhos". A igreja abriga em uma de suas capelas um afresco do século XV que representa Maomé no inferno, tal como o descreveu o poeta Dante Alighieri em sua mais famosa obra, "A Divina Comédia". A Basílica de São Petrônio é considerada há muito tempo pelas autoridades italianas como um potencial alvo de ataques terroristas islâmicos, devido exatamente à imagem de Maomé em seu interior, que foi pintada por Giovanni de Módena. A União de Muçulmanos da Itália já havia considerado a pintura "uma blasfêmia e uma obscenidade".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.