Justiça italiana pede autópsia do corpo de Eluana

Italiana que estava em coma há 17 anos morreu dias depois da suspensão de tratamento.

Guilherme Aquino, BBC

10 de fevereiro de 2009 | 12h06

A Justiça italiana pediu nesta terça-feira a autópsia do corpo de Eluana Englaro, morta na noite de segunda-feira após 17 anos em coma, em meio a uma polêmica sobre a eutanásia na Itália.No sábado passado, os médicos da clínica Le Quiete, em Udine, suspenderam totalmente a alimentação e hidratação da paciente, que entrou em coma em 1992 depois de um acidente de carro.O Procurador Geral da República, em Udine, Antonio Biancardi, se reuniu nesta terça-feira com investigadores, policiais, peritos e consultores para estudar o caso e ordenou a autópsia para descobrir as causas da morte. A morte de Eluana, de 38 anos, pegou todos de surpresa, já que a expectativa era de que o processo se tornasse irreversível apenas depois de uma semana.O exame de autópsia já estava previsto no protocolo terminal de Eluana, que assinalava cada etapa dos procedimentos médicos na paciente em vida e depois de sua morte. O corpo de Eluana permanece na clínica Le Quiete, em Udine, para onde o pai dela, Beppino Englaro, seguiria na manhã desta terça-feira.Na véspera, ele estava em Lecco, defendendo-se em um tribunal no processo contra o pátrio-poder, em mais uma batalha jurídica no caso da filha.Beppino Englaro defendeu o direito de morte da filha alegando que, antes de entrar em coma, ela havia expressado o desejo de não ser mantida viva artificialmente caso sofresse um acidente e ficasse em estado vegetativo.O estado geral de Eluana Englaro antes de morrer divide os especialistas. Para alguns médicos, ela era muito frágil e pode ter sofrido uma parada cardíaca ou respiratória. Para outros, entre eles o neurologista da paciente, Carlo Alerto Defanti, as condições gerais de saúde da mulher eram boas, fora a lesão cerebral.Segundo fontes médicas, Eluana Englaro piorou no fim da tarde, de forma repentina. Sua alimentação e hidratação foram totalmente suspensas no sábado, a pedido da família.As previsões de especialistas davam a Eluana um tempo de vida de entre dez e 21 dias após a suspensão total da terapia. A morte ocorreu no momento em que o governo corria contra o tempo para aprovar uma lei que vetasse a suspensão do tratamento em pacientes sem a capacidade de se expressar. O óbito foi anunciado durante a sessão do Senado, quando os parlamentares debatiam o texto do projeto de lei.Nesta terça-feira, o Senado continua a debater se deve aprovar uma lei sobre testamento biológico - que já estava prevista - ou se continua a discussão sobre o projeto de lei que vetaria a suspensão do tratamento a pacientes em coma.O projeto de lei foi apresentado depois que o presidente italiano, Giorgio Napolitano, vetou um decreto do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, tentando impedir a morte de Eluana, por considerá-lo inconstitucional.O caso dividiu os italianos. Durante a noite, houve uma vigília em frente à clínica em Udine. Ainda resistem à chuva no local alguns cartazes e faixas fixados em muros, contrários e a favor do pai Beppino Englaro. A notícia também foi manchete dos jornais italianos nesta terça-feira, e também estão previstas manifestações partidárias em Roma. A oposição acusa Berlusconi de ter politizado o caso em benefício próprio.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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