Henry Romero/Reuters
Henry Romero/Reuters

Justiça manda prender ex-diretor da Pemex ligado a caso Odebrecht

Lozoya, que foi colaborador próximo do ex-presidente Peña Nieto, é acusado de ter recebido subornos da empreiteira brasileira

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2019 | 22h10

CIDADE DO MÉXICO - A Justiça mexicana emitiu ordens de captura contra o ex-diretor-geral da estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) Emilio Lozoya, sua mulher, Marielle, sua mãe, Gilda, e irmãs Gilda e Nelly, por ligação com o caso Odebrecht no país, informou nesta sexta-feira, 5, a Procuradoria-Geral do México.

A Procuradoria disse em um comunicado que um juiz emitiu, na quinta-feira, as ordens de apreensão solicitadas no caso Odebrecht contra Lozoya e sua família, além de uma empresa do setor imobiliário.

Lozoya, que dirigiu a Pemex de 2012 a 2016 e foi um dos mais próximos colaboradores do ex-presidente Enrique Peña Nieto (2012-2018), enfrenta há um mês outra ordem de captura, também solicitada pela Promotoria, pela acusação de lavagem de dinheiro. Lozoya teria participado da compra e venda irregular de uma fábrica de adubos enquanto dirigia a companhia petrolífera estatal.

Lozoya, cujo paradeiro é desconhecido, é investigado por ter recebido US$ 10 milhões em subornos da Odebrecht. Ele também é acusado de ter intermediado para que a empresa espanhola OHL ganhasse contratos elétricos no valor de US$ 477 milhões. 

Com o dinheiro recebido no esquema, Lozoya teria comprado, em 2012, uma luxuosa residência na capital mexicana. Peña Nieto, por sua vez, foi investigado, segundo o jornal Reforma, pelo suposto financiamento da Odebrecht à sua campanha presidencial, mas recentemente a Procuradoria afirmou que as infrações prescreveram.

A Odebrecht admitiu ter pago propina em vários países latino-americanos. No Peru, o ex-presidente Alan García se suicidou, em 17 de abril, ao saber que seria preso em um caso de corrupção envolvendo a empreiteira.

Processos

Fontes da Promotoria do México disseram que a Odebrecht se declarou culpada por pagar subornos a então funcionários da Pemex no valor de US$ 10,5 milhões, entre 2010 e 2014, sem esclarecer o destino dos recursos nem as identidades dos que os receberam.

Lozoya é o primeiro ex-funcionário de alto nível da Pemex a ser investigado pelo governo do presidente Andrés Manuel López Obrador, que assumiu a presidência, no fim do ano passado, com o compromisso de erradicar a corrupção no México. / AFP

 

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