AP Photo/Fernando Llano
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Justiça Militar da Venezuela prenderá quem atrapalhar eleição da Constituinte

Oposição afirma que processo para escolher 537 pessoas para redigir uma nova Constituição representa uma consolidação da 'ditadura' de Maduro e tem como objetivo perpetuá-lo no poder

O Estado de S.Paulo

13 Julho 2017 | 20h37

CARACAS - O vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, alertou nesta quinta-feira, 13, que a Justiça Militar punirá com penas entre 5 e 10 anos de prisão quem atrapalhar a eleição para a Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo governo.

"A direita disse que durante a votação de 30 de julho vai fechar alguns centros eleitorais que, por ordem militar, serão zonas de segurança nacional. Por consequência, qualquer crime que ali se cometa será punido pela Justiça Militar", afirmou.

A oposição afirma que o processo para escolher 537 pessoas para redigir uma nova Constituição do país representa uma consolidação da "ditadura" do presidente do país, Nicolás Maduro, e tem como objetivo perpetuá-lo no poder.

"Não haverá fascista que se atreverá a se meter com o nosso processo (constituinte)", reforçou El Aissami em um ato do governo.

Segundo o vice-presidente, a única forma de evitar um boicote ou sabotagens no dia da eleição da Assembleia Nacional Constituinte é uma "grande mobilização" nas ruas.

"Temos a moral para pedir ao povo o voto em defesa da Revolução Bolivariana porque não falhamos com ninguém. Exigimos do povo lealdade histórica com a Revolução", afirmou o vice-presidente, enviando uma mensagem especial aos funcionários públicos.

"Aumentamos seus salários, demos todo nosso apoio, e agora, podemos dizer que é a vez deles", reforçou.

El Aissami também elogiou a presidente do Poder Eleitoral, Tibisay Lucena, que anunciou na quarta-feira que os centros de votação que forem bloqueados serão permanentemente fechados. No futuro, os eleitores terão de votar em outro local.

O Poder Eleitoral reforçou as medidas de segurança depois de alguns opositores pedirem para que os centros de votação sejam impedidos de funcionar durante a Constituinte convocada por Maduro.

A convocação da Constituinte é um dos motivos da onda de protestos contra o governo que ocorrem na Venezuela há mais de três meses e deixou 94 mortos, segundo dados oficiais.

Por meio da Assembleia Nacional, onde detém maioria, a oposição convocou para o próximo domingo um referendo organizado pelos próprios cidadãos para consultar os venezuelanos se eles estão de acordo com a Constituinte, entre outros assuntos. / EFE

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