Justiça nega testemunha para preso por 11/09 em Guantánamo

Defesa pede que idealizador dos ataques prove que do motorista de Osama bin Laden não faz parte da Al-Qaeda

DAVID ALEXANDER, REUTERS

06 de dezembro de 2007 | 12h14

Os advogados do ex-motorista de Osama bin Laden, que recebia US$ 200 por mês, não conseguiram autorização para convocar o suposto idealizador dos ataques de 11 de setembro, Khalid Sheikh Mohammed, para testemunhar que o cliente deles não integra a Al-Qaeda.  O motorista, Salim Ahmed Hamdan, está sob custódia da Justiça militar dos EUA. Um juiz das Forças Armadas, o capitão da Marinha Keith Allred, rejeitou o pedido de acesso a Mohammed e a outros supostos líderes da Al-Qaeda mantidos no centro de detenção norte-americano da baía de Guantánamo (Cuba). Segundo Allred, a defesa demorou tempo demais para fazer o pedido em vista do alto grau de segurança da prisão em que são mantidos aqueles detentos. O réu é suspeito de ter trabalhado como motorista e guarda-costas de Bin Laden e de ter transportado armas para a Al-Qaeda. Hamdan reconheceu ter trabalhado para bin Laden no Afeganistão, por um salário de US$ 200 mensais, mas nega ter sido membro da rede militante e disse nunca ter participado de atentados terroristas.A moção apareceu em uma audiência realizada para determinar se Hamdan é um combatente inimigo legítimo e se pode ser julgado pelos tribunais militares criados pelo Congresso dos EUA para realizar o julgamento das pessoas capturadas durante a "guerra contra o terrorismo" lançada pelo presidente norte-americano, George W. Bush. "O senhor deveria ter dado início ao processo para ter acesso à testemunha muito antes", afirmou Allred ao rejeitar os dez pedidos feitos pela defesa, segundo o juiz, na terça-feira à noite. A decisão apareceu na terceira tentativa dos militares de processar Hamdan sob a acusação de crimes de guerra e seis meses depois de Allred ter descartado uma denúncia anterior feita contra o réu. O juiz decidiu em junho que Hamdan, atualmente com cerca de 37 anos de idade, havia apenas sido declarado combatente inimigo e disse não ter autoridade para decidir se o réu era um combatente inimigo legítimo ou ilegítimo. Hamdan nasceu no Iêmen e é acusado de conspiração e de dar apoio material ao terrorismo. Os conceitos foram estabelecidos pela lei aprovada no Congresso no ano passado com vistas a dar fundamento jurídico ao julgamento desses crimes de guerra, julgamento esse a ser realizado por órgãos nomeados formalmente de comissões militares.  

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