Justiça nicaragüense abre processo contra ex-presidente

O ex-presidente Arnoldo Alemán compareceu nesta sexta-feira perante os tribunais e alegou a "nulidade absoluta" do processo aberto contra ele porque, segundo disse, ainda goza de imunidade parlamentar, como deputado da Nicarágua perante o Parlamento Centro-Americano. Usando camisa vermelha e um gorro da mesma cor com a sigla PLC, de seu Partido Liberal Constitucionalista, Alemán chegou, sorridente, ao tribunal da Primeira Vara Criminal e compareceu perante a juíza Juana Méndez.O ex-mandatário chegou ao tribunal sob forte escolta policial para ser processado por suposta fraude contra o Estado e lavagem de US$ 100 milhões, depois de a Assembléia Nacional ter retirado, na véspera, sua imunidade como deputado. Perante a juíza, Alemán alegou que ainda goza de imunidade, reconhecida pela Constituição e pelo Protocolo de Tegucigalpa, que criou o Parlamento Centro-Americano e que foi assinado pela Nicarágua. O ex-presidente se negou a prestar declarações a respeito das acusações feitas pelo procurador especial, Iván Lara, e disse que seu julgamento "é político". Também alegou a incompetência do tribunal que abriu o processo contra ele, ao mesmo tempo em que pedia autorização para participar pessoalmente de sua defesa e nomeava como seu advogado Mauricio Martínez. Do lado de fora do tribunal, um grupo de simpatizantes gritava "Arnoldo! Arnoldo!". A televisão local transmitiu ao vivo o comparecimento de Alemán perante a Justiça. É a primeira vez, na história do país, em que um ex-presidente é processado por um delito. Na quinta-feira à noite, Alemán foi detido em sua residência de "El Chile", a cerca de 50 km de Manágua, a capital, pelo comissário Julio González, chefe do Departamento de Investigações Criminais da Polícia, que declarou que o ex-mandatário "se mostrou tranqüilo. Tudo foi muito cordial". Segundo o deputado liberal René Herrera, um dos mais fiéis correligionários do ex-presidente, "não haverá governabilidade no país" com Alemán preso. Outro ex-colaborador do ex-governante disse temer que Alemán "possa ser assassinado na prisão". Antes da votação no Congresso que suspendeu sua imunidade, Alemán disse que nem os sandinistas, nos anos 80, nem sua antecessora, a ex-presidente Violeta Chamorro, fizeram tantas obras em seus governos como ele próprio. E desafiou os organismos internacionais a comprovar que os recursos que lhe ofereceram não foram utilizados em estradas e escolas.

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