Justiça ordena prisão de 5 ativistas no Egito

Eles são acusados de incitar violência contra integrantes da Irmandade Muçulmana, do presidente Morsi; outros 169 são intimados a depor

CAIRO, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2013 | 02h02

A Justiça do Egito ordenou a prisão de cinco ativistas acusados de incitar a violência contra integrantes da Irmandade Muçulmana, do presidente Mohammed Morsi. Outros 169 militantes e políticos foram intimados a depor sobre um violento confronto entre partidários do governo e opositores ocorrido diante da sede da Irmandade na sexta-feira, que deixou mais de 200 feridos.

Segundo nota na página oficial da Procuradoria-Geral egípcia no Facebook, Alaa Abdel-Fattah, Ahmed Douma, Karim al-Shaer, Hazem Abdel-Azim e Ahmed Ghoneimi tiveram pedidos de prisão emitidos e estão proibidos de viajar para o exterior.

O grupo esteve à frente da revolução que em 18 dias derrubou Hosni Mubarak, em 2011, e da subsequente campanha contra os militares que sucederam ao ditador e permaneceram no poder por 17 meses.

Entre os intimados a depor estão o ex-candidato à presidência Khaled Ali, o ex-parlamentar Ziad al-Oleimi, o político Mohamed Aboul-Ghar, o apresentador de TV Buthaina Kamel e a jornalista, blogueira e ativista pelos direitos humanos Nawara Negm - filha do poeta egípcio Ahmed Fouad Negm, conhecido por sua sátira antigoverno e posições de esquerda.

Alerta. A decisão de pedir a prisão dos cinco ativistas e interrogar os demais foi tomada um dia após o presidente egípcio alertar opositores de que estava prestes a tomar medidas "emergenciais" para proteger o país. Em seu discurso, no domingo, Morsi estava visivelmente nervoso e levantou a voz diversas vezes. O presidente acusou a oposição de pagar pessoas para instaurar o caos nas ruas e a mídia, de promover a violência.

Kamel, que trabalha para uma emissora estatal de TV e foi intimado a depor, disse à Associated Press que estava na frente do escritório da Irmandade Muçulmana na sexta-feira, mas não participou do confronto. "Não atirei nenhuma pedra. É meu direito participar pacificamente de um protesto", disse.

Os mandados de prisão representam uma escalada significativa do embate que Morsi mantém com seus aliados islâmicos quanto com uma oposição predominantemente secular e liberal - apoiada por muçulmanos moderados, a minoria cristã e um grande segmento de mulheres com um nível maior de educação do que a média, principalmente que residem em áreas urbanas.

O caos político em que o Egito mergulhou após a queda de Mubarak tem sido agravado pela piora da situação econômica e de segurança no país. / AP

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