Justiça ordena prisão de diretores de pasquins

A Justiça peruana ordenou a prisão de vários diretores de jornais sensacionalistas, que desenvolveram no passado campanha de desprestígio contra opositores do destituído presidente Alberto Fujimori e hoje impulsionam ação similar contra o candidato presidencial Alejandro Toledo, favorito para as eleições gerais de 8 de abril. O mais importante dos diretores procurados pela polícia judiciária é Augusto Bresani, um publicitário que dirigiu vários tablóides e que, segundo informações da imprensa local, se converteu no elo de ligação entre o foragido ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos e dezenas de jornalistas. Além do próprio Bresani, o promotor Luis Cortés ordenou a detenção de seu irmão e um de seus filhos, Jorge Bresani León e Jean Carlo Bresani Mier y Terán, respectivamente. Versões não confirmadas asseguram que os Bresani fugiram do país em direção a Miami ou ao Panamá. Além disso, Cortés está impedindo que saiam do país os diretores dos diários El Chino, La Chichu, El Chato, El Tío, El Mañanero, La Yuca e El Men, acusados de delito contra a administração pública, na modalidade de peculato. O congressista Moisés Wolfenson - proprietário da Editora Sport, que publica os tablóides El Chino e El Men - também será incluído nas investigações, para o que se solicitará ao Congressso a suspensão de sua imunidade parlamentar. Segundo depoimentos de ex-empregados de Bresani, o empresário manejou a campanha jornalística contra todos os candidatos presidenciais rivais de Fujimori no processo eleitoral de 2000, para a qual Montesinos teria destinado ao menos US$ 5 milhões. Bresani - colunista de corridas de cavalos e há muitos anos vinculado a Montesinos - pagava entre US$ 3.000 e US$ 5.000 pela manchete de primeira página de cada jornal sensacionalista e recebia por manchete mais uns US$ 1,000.00 de "comissão", segundo declararam jornalistas que trabalharam com ele, entre os quais Rubén Gamarra, editor de El Chato e de La Yuca. O empresário e colunista financiou vários diários populares, chamados localmente de "chicha", com dinheiro de origem obscura.

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