REUTERS/Enrique Marcarian
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Justiça argentina ordena prisão de mãe da Praça de Maio

Ordem foi emitida por ela negar-se a depor em uma causa que a investiga por desvio de fundos para construção de casas populares

Rodrigo Cavalheiro - CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S. Paulo

04 Agosto 2016 | 20h30

A Justiça determinou nesta quinta-feira, 4, a detenção de Hebe de Bonafini, líder da associação Mães da Praça de Maio, por negar-se a depor em uma causa que a investiga por desvio de fundos para construção de casas populares. A ordem judicial foi emitida depois de a ativista de direitos humanos, conhecida pela busca de desaparecidos durante a ditadura (1976-1983), faltar a uma audiência e fazer, como é comum nas quintas-feiras, a marcha em círculos na frente da Casa Rosada.

Hebe é acusada de não repassar dinheiro do Ministério do Trabalho, entre 2008 e 2011, para operários encarregados de erguer 900 casas, no projeto “Sueños Compartidos”. Ela atribui a um grupo que trabalhava na associação a responsabilidade pelo desfalque de R$ 43 milhões. “As casas estão feitas, mas eles não pagaram os insumos. Fizemos milhares de casas, 21 hospitais, mas muitas delas não estão pagas”, disse Hebe ao Estado na segunda-feira, quando já havia anunciado que não se apresentaria à audiência por considerar injusta a convocação.

Hebe, de 87 anos, é defensora incondicional do governo de Cristina Kirchner e crítica da administração do atual presidente, Mauricio Macri. A ordem de prisão mobilizou cerca de 400 militantes e políticos kirchneristas, que a escoltaram nos 2 quilômetros entre a praça e a sede da associação. O grupo cercou a van em que ela estava e paralisou o tráfego do centro da capital. Um oficial de Justiça chegou a parar na frente da sede, mas não cumpriu o mandado e a ordem de busca e apreensão na entidade. Às 18 horas, Hebe deixou a sede para agradecer à militância pelo apoio. 

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