Philippe Wojazer/Reuters/Arquivo
Philippe Wojazer/Reuters/Arquivo

Justiça ouve depoimento de jornalista contra Strauss-Kahn

Tristane Banon acusa o ex-diretor do FMI de tentativa de estupro durante entrevista realizada há oito anos

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

11 de julho de 2011 | 18h13

CORRESPONDENTE / PARIS

 

A jornalista francesa Tristane Banon, de 32 anos, prestou nesta segunda-feira, 11, seu primeiro depoimento à Justiça da França na investigação sobre a suposta tentativa de estupro que o ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, teria cometido.

 

O caso, que teria acontecido há oito anos, só veio à tona oficialmente depois da prisão do economista em Nova York. Declarando-se inocente, Strauss-Kahn está processando Banon por calúnia.

De acordo com as primeiras informações reveladas à imprensa pelo advogado da jornalista, David Koubbi, o depoimento de Banon apenas reafirmou os dados já revelados sobre o caso. Segundo a jovem, Strauss-Kahn a teria agarrado à força depois de assediá-la durante uma entrevista concedida em Paris. Segundo Koubbi, o caso não vai se limitar à "palavra contra palavra".

 

"Muitas pessoas se colocaram à disposição da Justiça para testemunhar", afirmou o defensor.

Entre as testemunhas evocadas pela defesa estão expoentes do Partido Socialista (PS), o mesmo de Strauss-Kahn, que teriam sido informados à época sobre a suposta tentativa de estupro. Durante os oito anos, Banon teria silenciado sobre o caso a pedido de sua mãe, Anne Mansouret, militante do partido.

Em resposta à ofensiva de Banon, advogados de Strauss-Kahn anunciaram ter registrado uma queixa contra a jornalista por calúnia. O caso já está nas mãos de um procurador da República. "A queixa por denúncia caluniosa foi feita, como nós anunciávamos, tão logo tomamos conhecimento da abertura de uma investigação preliminar (sobre as queixas de Banon)", afirmou o advogado Henri Leclerc.

Acusado de violência sexual nos Estados Unidos, Strauss-Kahn tem grandes chances de ser inocentado no dia 18 de julho em razão de incongruências no depoimento da suposta vítima, Nafissatou Diallo, camareira da rede de hotéis Sofitel em Nova York.

 

Com AFP e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.