EFE/Nathalie Sayago
EFE/Nathalie Sayago

Justiça pede prisão de marido de ex-procuradora venezuelana por corrupção

O Tribunal Supremo de Justiça é o encarregado de liberar a ordem de prisão para que Ferrer 'seja privado de liberdade enquanto se inicia o processo de quebra de imunidade' como deputado

O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2017 | 17h47

CARACAS - O Ministério Público venezuelano pediu a prisão do marido da ex-procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, destituída pelo governo de Nicolás Maduro. Germán Ferrer, um deputado dissidente do chavismo, teve a prisão pedida por suspeita de integrar uma rede supostamente envolvida na extorsão de suspeitos de corrupção.

"Deve ser privado da liberdade em custódia um sua residência", disse nesta quarta-feira, 16, o procurador-geral, o chavista Tarek William Saab, ao anunciar a medida contra o legislador Germán Ferrer.

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) - acusado de servir ao governo - é o encarregado de liberar a ordem de prisão para que Ferrer "seja privado de liberdade enquanto se inicia o processo de quebra de imunidade" como deputado, acrescentou.

Saab disse em entrevista que pedirá à Assembleia Constituinte, que rege o país com poderes absolutos, que inicie um processo para retirar o foro parlamentar do marido da ex-procuradora. 

Ortega não é mencionada na denuncia, mas "é muito difícil que não saiba nada" sobre as acusações que recaem sobre seu marido, afirmou o constituinte e líder governista Diosdado Cabello, que apresentou o pedido.

Cabello compareceu nesta quarta-feira ao escritório do procurador para entregar as "provas" em nome do órgão que reescreve a Constituição, enquanto também toma medidas de aplicação imediata.

Em sua primeira decisão, no dia 5 de agosto, a Constituinte destituiu Ortega, uma chavista que rompeu com Maduro no início de abril depois de denunciar uma ruptura da ordem constitucional.

Nos últimos anos, ex-procuradora, chavista declarada, fez denúncias contra o governo, acusando Maduro de ter "ambições ditatoriais", e com processos contra vários funcionários por suposta corrupção e violação de direitos humanos.

Ferrer, por sua vez, se afastou do governo, formando uma  pequena bancada no Parlamento, de maioria opositora.

Segundo a denúncia, o deputado e funcionários da Procuradoria integravam uma rede que extorquia empresários do petróleo supostamente envolvidos em casos de corrupção.

Pediam até US$ 600 mil dólares para que não fossem processados, disse Cabello, que garantiu que a denúncia "não tem nada a ver" com a postura política da ex-procuradora e seu marido.

O dirigente pediu a ordem de prisão contra o parlamentar, assim como a proibição de sua saída do país e congelamento de suas contas e bens. 

Cabello acusou Ferrer de ter aberto em abril de 2016, junto com o procurador Pedro Lupera, uma conta bancária por um milhão de dólares nas Bahamas, produto supostamente do ilícito.

Saab mostrou à imprensa documentos bancários, segundo ele originais e assinados pelo legislador, que demostrariam a titularidade da conta. O procurador pediu a prisão de Lupera, de outro procurador e de uma mulher que supostamente trabalha no escritório de Ortega. / AFP 

 

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