Justiça permite que presidente do Paquistão tente reeleição

Na véspera do pleito, Pervez Musharraf tenta garantir vitória por meio de aliança com ex-premiê exilada

Agências internacionais,

05 de outubro de 2007 | 07h49

A Suprema Corte do Paquistão decidiu nesta sexta-feira, 5, que as contestadas eleições presidenciais indiretas de amanhã poderão ser realizadas, mas proibiu a declaração do vencedor até que os juízes decidam se o general Pervez Musharraf, atual presidente e favorito no pleito, é ou não um candidato elegível.   A inesperada decisão ocorre na véspera da votação e ameaça os planos de Musharraf de permanecer mais cinco anos na presidência do país, assim como lança incerteza sobre a perspectiva de uma aliança pró-Ocidente com a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.    O acordo prevê a promulgação de uma "ordenança de reconciliação nacional" que outorgará uma anistia a Benazir, processada por corrupção, e que segundo uma fonte oficial o presidente deve assinar nesta sexta. A ex-premiê deu sinal verde ao texto preparado pelo governo, segundo informou uma fonte de seu Partido Popular do Paquistão (PPP), e está à espera que o presidente promulgue o ato.   Em troca, o PPP, principal força opositora no Parlamento, não boicotará a eleição do presidente prevista para sábado nas assembléias do país, segundo anunciou na quinta-feira a própria Bhutto em entrevista coletiva em Londres.   Segundo a BBC, a Justiça afirma que nenhum vencedor pode ser anunciado até que se decida se o general e chefe de governo pode tentar a reeleição enquanto ocupa o cargo de chefe das Forças Armadas.   Os opositores de Musharraf consideram a candidatura do general inconstitucional. A lei paquistanesa proíbe militares da ativa de concorrerem a cargos públicos. Os advogados do governo alegam que Musharraf é elegível porque o país passa por um período de transição.   A anistia era uma exigência do partido da líder exilada para apoiar a candidatura do general nas eleições deste sábado. Outra exigência de Benazir para que os políticos ligados ao seu partido apoiassem a candidatura de Musharraf era que o atual presidente renunciasse do cargo de chefe das Forças Armadas, também comandada por ele. Nesta terça, o presidente nomeou um novo sucessor para o comando do Exército, num sinal de que o pedido da ex-premiê foi atendido.   Caso Musharraf vença o pleito de sábado, o general Ashfaq Kiani assumirá o Exército do Paquistão. O ex-chefe dos serviços secretos assumirá na próxima segunda-feira o posto de subcomandante das Forças Armadas e substituirá o presidente quando este deixar a função de militar.   Segundo uma fonte do governo, a lei que será assinada por Musharraf outorga uma anistia para os políticos que serviram nos governos paquistaneses entre 1988 e 1999, ou seja, os de Bhutto e o também exilado Nawaz Sharif. Também prevê que, no futuro, um comitê especial do Parlamento aprove a abertura de casos contra um alto cargo "para evitar acusações com motivações políticas", disse a fonte.   Em uma tentativa de evitar a eleição do atual chefe de governo, deputados da oposição renunciaram, visando acabar com a legitimidade da votação. Os aliados do presidente asseguram que dispõem de votos suficientes para garantir a vitória do atual líder nas eleições indiretas.

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