JF Diório/Estadão
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Justiça peruana condena à prisão governador por ligação com escândalo da Odebrecht

Félix Moreno é acusado de ter recebido US$ 2,4 milhões em propina; ele nega

O Estado de S.Paulo

09 Abril 2017 | 02h20

LIMA - A Justiça do Peru ordenou na noite deste sábado, 8, a prisão preventiva por 18 meses do governador da província de Callao, Félix Moreno, por ligação com a rede de corrupção montada pela construtora brasileira Odebrecht.

Após uma audiência de dez horas, o juiz titular do Terceiro Juizado de Investigação Preparatória Nacional, Ricardo Manrique, declarou ser fundado a petição de prisão preventiva apresentado pela Procuradoria-Geral do país, que acusa Moreno de lavagem de dinheiro e tráfico de influência.

O juiz determinou que existem graves e fundados elementos de convicção que incriminam o governador e que havia risco de sua fuga. Caso sejam comprovados durante as investigações, Moreno pode ser condenado a quatro anos de prisão.

O advogado de Moreno, José Castillo, interpôs um recurso de apelação ao juizado e disse que o cliente dele é inocente. Enquanto isso, o governador fica detido pela polícia enquanto se decide a prisão para onde ele será levado.

De acordo com o promotor anticorrupção Hamilton Castro, responsável pelas investigações do caso Odebrecht no Peru, a companhia brasileira pagou um suborno de US$ 4 milhões em troca da licitação das obras da Costa Verde, rodovia litorânea que liga Callao à capital Lima.

Os investigadores sustentam que 60% da propina foi destinada a Moreno, enquanto 40% teria sido para o empresário israelense Gil Shavit. Este último foi detido no domingo passado, 2 de abril, e disse estar disposto a colaborar com as investigações.

O promotor apresentou como prova um documento destinado a Moreno do Escritório de Operações Estruturadas da Odebrecht, responsável pelas propinas pagas pela companhia. Castro alegou que o governador gastou o dinheiro para pagar o publicitário brasileiro Luis Favre, que o assessorou em 2014 em sua campanha à reeleição.

No Peru, as investigações do caso Odebrecht se centram em descobrir o rastro de US$ 29 milhões que a empresa brasileira reconheceu ante a Justiça dos Estados Unidos ter pago a políticos e funcionários públicos peruanos. / EFE

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