Karel Navarro/AFP
Karel Navarro/AFP

Justiça peruana inclui três construtoras brasileiras em caso de corrupção

Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez foram incluídas pelo suposto pagamento de subornos para obter o contrato de construção de uma rodovia

O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 00h38

LIMA - As filiais das empresas brasileiras Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez foram incluídas em um processo judicial no Peru pelo suposto pagamento de subornos para obter o contrato de construção de uma rodovia, informou a Justiça nesta segunda-feira.

O Poder Judiciário informou no Twitter que o tribunal liderado pelo juiz Richard Concepción incluiu "como terceiro civil responsável as empresas Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão", consorciadas na Intersur Concesiones, pela suposta obtenção ilícita da concessão do trecho 4 da estrada interoceânica, que une o Peru e o Brasil.

A qualificação de "terceiro civil responsável" busca que as companhias assumam o pagamento de uma eventual reparação civil pelos danos causados ao Estado peruano.

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A Camargo Corrêa já é investigada no Peru por lavagem de dinheiro, em razão do suposto pagamento de um suborno de US$ 6 milhões ao então presidente Alejandro Toledo (2001-2006) para ganhar a licitação. Seus bens no país estão congelados.

O pedido para incluir as três empresas foi feito pela Procuradoria, que também investiga a construtora Odebrecht, empresa que já admitiu que pagou US$ 20 milhões a Toledo para ganhar a concessão dos trechos 2 e 3 da mesma via.

A Procuradoria-Geral da República - que defende os interesses do Estado - sustentou seu pedido com a hipótese de que as três empresas formaram a Intersur Concesiones para vencer a licitação durante o governo de Toledo e pagaram subornos em consenso.

A argumentação teve como base e-mails que pertenceriam ao então representante da Intersur, Marcos de Moura Wanderley, onde faria referência a supostos subornos e a depósitos nas contas do empresário peruano israelense Yosef Maiman, amigo do ex-presidente Toledo, segundo o jornal El Comercio. O mesmo empresário é acusado de receber os subornos da Odebrecht para o ex-presidente.

Os advogados das empresas negaram as acusações e asseguraram que esses e-mails não existem. / AFP

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