Karel Navarro/AFP
Karel Navarro/AFP

Justiça peruana nega pedido de prescrição de delito do ex-presidente Toledo

Tribunal rechaçou ainda habeas corpus do ex-mandatário; ele está foragido desde o começo de fevereiro

O Estado de S.Paulo

09 de março de 2017 | 05h20

LIMA - Um juiz peruano rechaçou nesta quarta-feira, 8, um pedido de prescrição de delito por tráfico de influência apresentado pela defesa do ex-presidente Alejandro Toledo, que é investigado por supostamente ter recebido US$ 20 milhões em propina da Odebrecht. 

A decisão foi tomada pelo juiz Richard Concepción Carhuancho, titular da primeira vara de Investigação Preparatória, após escutar o pedido, feito por um dos advogados de Toledo, Roberto Su Rivadeneyra.

Durante a audiência, que durou cinco horas na sede da Sala Penal Nacional, o advogado assegurou que o prazo para que a procuradoria investigasse o ex-presidente por suposto tráfico de influencia venceu em novembro de 2012.

No entanto, o juiz assegurou que esse prazo se conta desde o último momento em que foi feito o depósito ilegal de dinheiro nas contas vinculadas a Josef Maiman, um empresário peruano-israelense que seria o 'laranja' do esquema de Toledo.

Após conhecer a decisão do magistrado, a defesa de Toledo anunciou que vai apelar em instâncias superiores.

O 41º Juizado Penal da Corte Superior de Lima também negou nesta quarta um pedido de habeas corpus a favor de Toledo contra a ordem de prisão preventiva emitida em fevereiro. O ex-presidente se encontra foragido, possivelmente nos Estados Unidos, onde mantém residência.

Outro advogado de Toledo, Heriberto Benítez, declarou que o ex-presidente retornará ao Peru se for cancelada a ordem de prisão preventiva e que ele estaria disposto a responder pelo processo em liberdade.

A Procuradoria acusa Toledo de delitos de tráfico de influência e lavagem de dinheiro por supostamente receber recursos ilegais da Odebrecht em troca da licitação da Rodovia Interoceânica do Sul.

As autoridades peruana estão à espera de os Estados Unidos deterem Toledo para iniciar o processo de extradição.

O ex-presidente foi a primeira grande figura pública peruana a ser acusado de envolvimento com o caso Odebrecht. À Justiça americana, a empreiteira admitiu ter pago US$ 29 milhões em propina a funcionários públicos e políticos no Peru. Esse período contempla os mandatos presidenciais de Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016). / EFE

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