Stephanie Keith/ Reuters
Stephanie Keith/ Reuters

Justiça americana pode esmagar as forças da insurreição no Capitólio; leia a análise

Investigação precisa levar à Justiça todos os que atacaram a democracia americana

David Ignatius / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2022 | 05h00

Com o aniversário da invasão do Capitólio, há uma questão importante para os americanos que apoiam o Estado de Direito: essa insurreição extremista foi contida ou está se espalhando? A resposta é que não sabemos. Mas a luta para salvar a democracia americana está ganhando força – e alguns dos combatentes mais importantes estão praticamente invisíveis. 

Ao longo do ano passado, o Departamento de Justiça e o FBI conduziram uma campanha nacional para identificar e processar os extremistas que invadiram o Capitólio. Não chega às manchetes como deveria, mas esse esforço de aplicação da lei não tem precedentes – e é a melhor esperança do país para restaurar o Estado de Direito de forma pacífica.

Uma olhada no catálogo de fotos online de suspeitos do FBI poderá mostrar os rostos dessa insurgência. Praticamente todos parecem ser brancos e quase todos são homens. Parecem uma multidão turbulenta em um jogo de futebol. Em quase todos os rostos, pode-se ver um brilho de raiva.

Restaurar a ordem é um processo lento e doloroso em países onde extremistas violentos desafiaram o Estado. A insurgência no Iraque e no Afeganistão não puderam ser reprimidas por todo o poderio militar dos Estados Unidos.

Quando pensamos na batalha do Departamento de Justiça dessa forma – como uma contrainsurgência – percebemos os perigos de táticas excessivamente zelosas. O governo não deve ser tão agressivo em sua perseguição a ponto de criar mais insurgentes do que prender. Essa é a linha tênue que o secretário de Justiça, Merrick Garland, e o FBI tentam não ultrapassar no combate ao extremismo doméstico em um país que está tão dividido em questões políticas.

Os Estados Unidos já enfrentara ameaças domésticas antes. O que parece funcionar melhor é a aplicação lenta e constante dos poderes exclusivos do Estado. 

Mas, um ano após a terrível violência no Capitólio, muitos perpetradores ainda estão andando em liberdade – e a maioria dos principais organizadores não foi punida. Agora, essa investigação precisa se acelerar e levar à Justiça todos os que atacaram nossa democracia. 

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