Justiça prossegue com julgamento de Berlusconi

Um tribunal de Milão rejeitou nesta segunda-feira um pedido feito pelo advogado Nicollò Ghedini, que representa o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, para suspender o julgamento no qual o magnata de 76 anos é acusado de explorar a prostituição de menores. A defesa de Berlusconi pediu a suspensão por causa da campanha eleitoral italiana, com as eleições de 24 e 25 de fevereiro, mas o tribunal rechaçou o pedido e um veredicto poderá ser emitido antes mesmo do sufrágio. Berlusconi descartou recentemente ser primeiro-ministro, caso sua coalizão de centro-direita vença as eleições, mas quer ser ministro da Economia.

AE, Agência Estado

14 de janeiro de 2013 | 15h25

Os juízes deliberaram por quatro horas antes de decidir que o julgamento deve prosseguir. A defesa também decidiu não pedir o depoimento da jovem Kharima el-Mahroug, de apelido "Ruby", que seria a última das testemunhas. "Ruby" é justamente o pivô do julgamento. Ela frequentou as festas de Berlusconi em 2010, na mansão do então premiê em Arcore, perto de Milão. A prostituição não é crime na Itália, mas explorar o lenocínio é crime, ainda mais se a vítima explorada for uma menor de idade, como era "Ruby" em 2009 e em 2010. Ela nega ter feito sexo com Berlusconi. Mas nesta segunda-feira, "Ruby", que não compareceu à audiência anterior, no começo do mês, porque estava em férias no México, foi ao tribunal e permaneceu em silêncio.

Berlusconi não compareceu à audiência e Ghedini afirmou que o cavaliere não pôde ir por causa de compromissos políticos. Os juízes disseram que Berlusconi desta vez não é candidato a primeiro-ministro e não é mais o presidente do partido político Povo da Liberdade (PDL, na sigla em italiano) que atualmente é liderado pelo senador Angelino Alfano. Por isso, a ausência não teria justificativas.

A promotoria informou hoje que não precisa mais do depoimento de "Ruby", uma vez que já obteve as informações com várias outras testemunhas, enquanto a defesa de Berlusconi mudou de estratégia e disse que era desnecessário o depoimento da jovem marroquina como testemunha do ex-premiê.

As informações são da Associated Press.

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