Justiça rejeita pela 2ª vez acusação contra Cristina na Argentina

Acusação havia chegado à sala 1 da Câmara Federal de Justiça na semana passada, impulsionada pelo promotor Germán Moldes

Rodrigo Cavalheiro - CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

26 Março 2015 | 16h42

 Um tribunal de segunda instância argentino rejeitou nesta quinta-feira, 26, levar adiante a investigação de Alberto Nisman contra a presidente Cristina Kirchner e funcionários do governo por acobertamento de acusados de terrorismo. 

A acusação havia chegado à sala 1 da Câmara Federal de Justiça na semana passada, impulsionada pelo promotor Germán Moldes, que a exemplo do que seu colega Gerardo Pollicita havia feito no dia 13 de fevereiro, pediu produção de novas provas contra os indiciados, entre os quais está o chanceler Héctor Timerman.  

O governo kirchnerista fez em 2013 com o Irã um acordo que formalmente se destinava a formar uma Comissão da Verdade em que iranianos considerados culpados pela Justiça pelo atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em 1994, deporiam em Teerã. 

Nisman acreditava ter provas de que o pacto tinha finalidade comercial, com a troca de petróleo iraniano por produtos agrícolas argentinos. Também alegava que o governo tentava retirar ordens de prisão emitidas pela Interpol contra alguns acusados. 

A decisão desta quinta-feira, por 2 votos a 1, é o segundo revés que sofre a denúncia do promotor morto no dia 18 com um tiro na cabeça em Buenos Aires, em caso ainda não esclarecido. No dia 27 de fevereiro, o juiz Daniel Rafecas já havia rejeitado dar continuidade ao caso, alegando que nenhuma das duas conclusões de Nisman se concretizara. 

O acordo com o Irã nunca chegou a ser concluído e os pedidos de prisão seguiram em vigor. Portanto, não haveria crime e necessidade de buscar novas provas, segundo Rafecas. O promotor Moldes ainda pode apelar a um tribunal de cassação e o caso poderia parar na Suprema Corte.

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