Justiça rejeita recursos contra eleição de Maduro

Supremo negou impugnação pedida pelo candidato derrotado na disputa de abril, o opositor Henrique Capriles, quando o chavista foi eleito presidente

CARACAS, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2013 | 02h05

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) venezuelano rejeitou ontem impugnar as eleições presidenciais de abril, em que Nicolás Maduro foi eleito para suceder o presidente Hugo Chávez, morto no mês anterior. O recurso tinha sido apresentado pelo opositor Henrique Capriles, que foi derrotado pelo chavista na votação por 1,5 ponto porcentual.

"Declara-se inadmissível o recurso", afirmou a presidente do TSJ, Gladys Gutiérrez, ao ler a sentença. A magistrada afirmou que o Judiciário está "alheio" ao debate político e o pedido de Capriles usou "conceitos ofensivos e desrespeitosos" que buscaram "minar" a fé dos cidadãos nas instituições. Além disso, a juíza afirmou que "não se apresentaram provas suficientes" e "cabe aos demandantes expor de forma clara, precisa e completa" seus argumentos.

Capriles respondeu à magistrada por meio do Twitter: "Inadmissível é a falta de justiça no nosso país, mais de 50 venezuelanos assassinados a cada dia. Inadmissível é a corrupção do governo", escreveu. "Inadmissível é pobreza, são os assassinatos, a queda dos salários dos nossos trabalhadores, inflação, desvalorização, escassez, a lista é longa!", acrescentou, em outro tuíte.

No total, foram declarados inadmissíveis os dez recursos de impugnação apresentados ao TSJ por Capriles, pela coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) e por cidadãos privados, que pediam a repetição total ou parcial da votação.

Capriles anunciou, na terça-feira, que apelará a instâncias internacionais. "Está previsto que eu vá no fim de agosto levar o processo", disse Capriles em seu programa pela internet, ao anunciar que "dá por esgotada" a via interna, quando ainda não tinha resposta ao recurso.

Recursos. O líder opositor não disse a quais instâncias internacionais recorrerá, mas afirmou que serão ao menos dois recursos, um seu e outro da MUD, com os mesmos argumentos apresentados à Justiça venezuelana. Capriles acrescentou que, apesar de seus questionamentos ao sistema eleitoral venezuelano, a oposição participará das eleições municipais de 8 de dezembro. / AFP

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