Justiça suíça confirma confissão de brasileira

Defesa deve alegar problemas de saúde para reduzir pena de Paula

Jamil Chade, ZURIQUE, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

O caso que quase abriu uma crise diplomática entre o Brasil e a Suíça não passou de uma grande farsa. A brasileira Paula Oliveira confessou à polícia ter forjado o suposto ataque xenófobo e admitiu que nunca esteve grávida. Sua família escondeu a informação - confirmada ontem pelo Ministério Público de Zurique - durante dias.A promotoria ressaltou que a confissão será incluída no processo penal contra a pernambucana. Já o advogado dela, o suíço Roger Muller, alegará problemas de saúde para reduzir sua pena.Ontem, o presidente do Conselho Federal suíço, Hanz Rudolf Merz, tentou desarmar de vez a crise, garantindo que o caso não afetaria a relação de seu país com o Brasil. Integrantes do governo brasileiro haviam qualificado o caso como um possível ataque xenófobo. A família de Paula acionou políticos de peso no País e o serviço consular do Brasil passou a dar atenção especial à pernambucana.O caso parecia emblemático. Paula teria sofrido um ataque de neonazistas na estação de trem de Dubendorf, o que teria causado um aborto. Segundo seu relato, ela teve o corpo cortado e as letras do partido de extrema direita SVP (Partido do Povo Suíço) marcadas com estilete em suas pernas e abdome. Mas o laudo médico da polícia concluiu que ela não estava grávida e privilegiava a tese de automutilação. De vítima, a brasileira transformou-se em suspeita, foi processada e deve ser interrogada na semana que vem, acusada de falso testemunho.O semanário Weltwoche revelou, então, que Paula foi pressionada pela polícia e acabou confessando a farsa. "O ataque de neonazistas nunca ocorreu, assim como a gravidez", confirmou ontem Reiner Angst, porta-voz do Ministério Público. "A mulher que alegou ter sido agredida reconheceu à polícia ter feito declarações falsas. Ela declarou que não ocorreu nenhum ato de agressão e fez os cortes nela mesma", afirmou o comunicado oficial do organismo.A Justiça agora quer saber o que levou Paula ao ato. Para a imprensa suíça, o motivo seria o de obter um visto de permanência no país. Mas a Justiça também anunciou a abertura de investigações para apurar como a confissão chegou à imprensa. Na Suíça é proibida a revelação de depoimentos, delito para o qual se prevê pena de até 3 anos de prisão. Paula não pode sair da Suíça e seu passaporte está retido.Para o advogado de Paula, a brasileira dificilmente será presa. Ele alegará problemas de saúde da brasileira para atenuar a pena. Ela sofre de lúpus, doença que pode causar alucinações. CASO CONTRADITÓRIO 9/2 - Paula Oliveira diz ter sido atacada por três neonazistas em Zurique. Ela afirma ter abortado as gêmeas que esperava havia três meses por causa do ataque 12/2 - Relatório da polícia sobre o caso questiona versão de Paula 13/2 - Polícia afirma que brasileira não estava grávida no momento do suposto ataque 16/2 - Partido do Povo da Suíça, cujas iniciais "SVP" foram marcadas no corpo de Paula, afirma que quer abrir um processo contra a brasileira sob a acusação de que ela "inventou" o ataque que diz ter sofrido 18/2 - Ministério Público suíço anuncia abertura de processo penal contra Paula, que está impedida de sair do país e tem seu passaporte retido

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