Jordi Matas/Reuters
Jordi Matas/Reuters

Justiça sul-africana pede prisão de opositor que incitou greves

Julius Malema fez vários discursos motivando milhares de trabalhadores das minas a uma paralisação

estadão.com.br,

21 de setembro de 2012 | 16h25

JOHANNESBURGO - As greves na África do Sul se espalharam da indústria da mineração de platina para as minas de ouro, inspiradas pelo violento movimento que ocorreu na mina de Marikana. Lá, trabalhadores grevistas conseguiram, nesta semana, um acordo com a empresa controladora da jazida, a Lonmin.

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Na noite de quinta-feira, os trabalhadores da mina Kopanang, da AngloGold - que emprega cinco mil funcionários - começaram uma greve. E, nesta sexta-feira, foi emitida uma ordem de prisão contra Julius Malema, político dissidente do partido governista Congresso Nacional Africano (CNA) que incitou à greve. Malema é acusado de fraude e corrupção.

Nas últimas semanas, Julius Malema fez vários discursos incitando os milhares de trabalhadores das minas à greve. Nesta sexta-feira, a advogada do político dissidente confirmou que a Justiça emitiu uma ordem de prisão contra ele. "Sim, eu me encontrei com meu cliente e nós estamos ocupados com isso. Não tenho uma cópia da ordem de prisão e não conheço as acusações", disse a advogada Nicqui Glaktiou.

A greve continua na mina Kopanang. Alan Fine, porta-voz da AngloGold, informou que a empresa ainda não recebeu reivindicações dos grevistas. O porta-voz do Sindicato dos Mineiros da África do Sul, Lesiba Seshoka, disse que os trabalhadores de Kopanang, com quem esteve reunido nesta sexta-feira, pedem aumento salarial. Seshoka pediu aos mineiros que voltem ao trabalho.

Mineiros de outra jazida de ouro, a de Carletonville, entraram no 12º dia de greve. A mina é da Gold Fields. Os 15 mil mineiros locais querem aumento salarial para 12,5 mil rands mensais (US$ 1,5 mil).

O salário é o mesmo que os trabalhadores de Marikana reivindicaram e conseguiram da Lonmin. O Sindicato Nacional dos Mineiros faz o papel de intermediador entre a empresa e os trabalhadores, que desejam a nomeação de outros delegados sindicais. Sven Lunsche, porta-voz da Gold Fields, disse que o pedido salarial está além das possibilidades de pagamento da empresa.

A greve na mineração da África do Sul, que teve início no começo de agosto, já deixou 47 mortos. Pelo menos 34 mineiros em greve foram mortos pela polícia a tiros em Marikana em 16 de agosto.

Com AP e Dow Jones

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