Justiça vê decreto de Morsi um ataque sem precedente

A autoridade que fiscaliza o poder judiciário no Egito criticou duramente neste sábado um decreto do presidente Mohamed Morsi que torna suas decisões imunes à supervisão judicial. Uma nova declaração constitucional é "um ataque sem precedentes à independência do judiciário e suas decisões", informou o Conselho Superior de Magistratura em um comunicado emitido após uma reunião emergencial.

AE, Agência Estado

24 de novembro de 2012 | 16h53

O conselho é formado por vários juízes indicados pelo ex-presidente Hosni Mubarak. O comunicado reflete o grande sentimento de revolta entre os juízes contra Morsi. Alguns grupos de juízes e procuradores já anunciaram greves parciais em protesto contra o decreto.

Morsi acusa os magistrados pró-Mubarak de barrar o progresso político no país. No ano passado, os tribunais dissolveram a câmara baixa do parlamento e o primeiro comitê formado para redigir a nova Constituição do país, ambos liderados pelo grupo Irmandade Muçulmana, de Morsi.

Um dos pontos mais polêmicos do decreto de Morsi diz respeito ao direito do presidente de tomar quaisquer medidas para impedir "ameaças à revolução". Segundo ativistas, a linguagem lembra a usada por Mubarak para reprimir a oposição.

A polícia egípcia usou neste sábado gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que acamparam na Praça Tahrir, em Cairo, em protesto ao decreto de Morsi. A Praça Tahrir também foi palco da revolta popular que derrubou o ditador Hosni Mubarak no ano passado.

Citando os relatos de um correspondente da agência France Press, o site libanês Naharnet informou que os ativistas da oposição ergueram cerca de 30 tendas e passaram a noite no local.

Multidões lideradas pela oposição saíram às ruas ontem em várias partes do Egito. Violentos confrontos foram relatados e a sede do partido de Morsi foi incendiada em Alexandria e em outras cidades. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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